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Em petição de miséria

Postado por Simone de Moraes

19/05/2011 18:55


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É dessa maneira que se pode resumir a condição em que se encontra a maioria dos ônibus que fazem o transporte público do Distrito Federal. O motivo não é simplesmente falta de investimento, mas sim, mais uma das manobras de uma suposta máfia, que, de forma ilícita, colocava ônibus velhos para circular na cidade, expondo a integridade e a dignidade das pessoas.

Empresas estão envolvidas em  irregularidades no setor de transporte da cidade. A empresa Fácil Brasília Transporte Integrado, por exemplo, administra o passe livre de mais de 160 mil estudantes brasilienses sem, ao menos, prestar contas de sua movimentação financeira. De acordo com a Divisão Especial de Repressão aos Crimes Contra a Administração Pública da Polícia Civil, desde 2008, R$ 14 milhões deixaram de ser repassados ao DFTrans – agência que fiscaliza a área de transporte no Distrito Federal.

A Fácil é administrada pelo setor privado, especificamente, pelos mesmos empresários que integram o Sistema de Transporte Público Coletivo do DF (STPC), representados por Wagner Canhedo Azevedo Filho, Eduardo Queiroz Alves e Victor Berthonico Foresti. Os três empresários fazem parte da diretoria do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo (Setransp) e foram indiciados pela Polícia Civil, juntamente com o ex-secretário de Transportes Alberto Fraga e o ex-diretor do DFTrans Paulo Munhoz, por terem colocado os ônibus piratas, em estado deplovárel, para rodar.

Para o líder do governo, deputado Wasny de Roure (PT), o Executivo tem toda estrutura de fiscalização na mão. “O governo tem o papel de fazer o credenciamento dos ônibus e tem todas as condições de certificar, não por parte das cooperativas. No meu entendimento, as empresas que se utilizaram deste processo devem ser descredenciadas, porque demonstraram não ter compromisso com a coisa pública. E, o mais rápido possível, deve ser aberta a licitação”, disse. Wasny ainda diz que um dos principais itens de responsabilidade do poder público, é o controle do valor de tarifa. “O governo não tinha a menor participação nas prestações de contas, só entrava com o dinheiro. Então, tem que entrar com a gestão para saber o que procede, e o que não procede”, explica.

O deputado acredita que o fato de ônibus piratas vinculados as empresas de transporte, estarem rodando normalmente é mais um agravante para abertura da CPI do DFTrans. “Esse é um delineador da magnitude de urgência para ser apreciada a partir da CPI. O DFTrans é uma instituição que precisa ser resgatada e saneada, para poder retomar o seu papel de gestor do transporte urbano de Brasília”, afirmou.

Caso seja aberta a CPI do DFTrans, Liliane Roriz (PRTB) afirma que gostaria de atuar como presidente ou vice-presidente. “O transporte púbico de Brasília tem que mudar radicalmente, a população sofre muito e não merece. Nós moramos na capital da república, então o transporte daqui deveria ser referência”, observa. “Se eu for presidente da CPI do DFTrans, você pode ter certeza, que vamos a fundo em todas as investigações”, disse.

O deputado Benedito Domingos defende a construção de um transporte mais eficiente, como metrô, por exemplo. “Os ônibus quebram muito. Se você for daqui para Taguatinga, no final da tarde, você verifica três, quatro ônibus quebrados e as pessoas aguardando. E o preço é caro”, avaliou. O deputado defende que a gestão do transporte deve ser incumbência do governo. “Está nas mãos de empresas particulares, não tenho nada contra, mas acho que é uma questão pública”, explica.

Mais uma vez é o povo que arca com as conseqüências de ações e atitudes de interesses mesquinhos. Apenas bastaria aos agentes públicos observarem os semblantes dos usuários dos veículos superlotados, nos pontos de ônibus miseráveis, pagando tarifas extorsivas, além do risco a que, cotidianamente, são expostos, em função da falta de fiscalização pelo Estado. Isso, sem deixar de mencionar a situação dos trabalhadores do setor. Motoristas e cobradores submetidos nas madrugadas aos “navios negreiros” e durante o dia a condições sub-humanas de salário, trabalho e insegurança.

 

 

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