Câmara em Pauta Imprensa Internacional Repercute o Relatório da CPI que incrimina Bolsonaro
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Imprensa Internacional Repercute o Relatório da CPI que incrimina Bolsonaro

Ana Alakija

De Boston– A imprensa de vários países continua repercutindo o recém apresentado Relatório da CPI do Senado que cobra principalmente do presidente Jair Bolsonaro a má gestão da pandemia da COVID-19 no Brasil como crime contra a humanidade.

Uma das mais influenciadoras revistas norte-americanas, The Economist, em sua edição de fim de semana, traz uma reportagem especial sobre a desventura no Brasil. No texto de chamada para a reportagem, The Economist ressalta a condição de sitiado do Presidente brasileiro, com a repercussão  negativa mais ainda para a imagem do presidente, e chama ele de “President anti-vaxxer” __ que significa uma pessoa que se opõe à vacinação.

A reportagem ressalta que apesar do relatório com uma abordagem “macabra” da pandemia qualificada como um “crime contra a saúde pública” não trazer as acusações mais incendiárias de homicídio e genocídio contra grupos indígenas, ele inclui a organização de grandes reuniões com a participação dos apoiadores do presidente e cientistas depreciativos.

The AlJazeera deu destaque ao Relatório apontar o Presidente como ‘o principal responsável pelos erros do governo durante a pandemia’, apesar de mais de 60 outras pessoas também estarem implicadas e podem enfrentar processos criminais. Isso inclui cinco ministros ou ex-ministros e três filhos do presidente–– o Senador Flavio Bolsonaro, o Deputado Federal Eduardo Bolsonaro e o vereador Carlos Bolsonaro–– por incentivar crimes por meio da divulgação de notícias falsas.

O conglomerado de mídia dos países árabes ainda ressaltou a atitude de minimização da ameaça do vírus COVID-19 por Bolsonaro que já causou  mais de 600.000 mortes–– o segundo maior número de mortes no mundo depois dos Estados Unidos––e mais de 21 milhões de casos. “O Presidente divulgou desinformação e tratamentos não comprovados, ignorando as diretrizes internacionais de saúde sobre o uso de máscaras e atividades públicas”, diz o artigo.

Apesar da gravidade com que o Presidente lidou com a doença  citada no relatório, The Aljazeera visualizou entraves nas consequências do relatório, pontuando que “a decisão de prosseguir com as acusações dependerá do procurador-geral do Brasil [ Augusto Aras], um nomeado e aliado de Bolsonaro”.

The Japan Times enfatiza que o Relatório da CPI da COVID-19 dificilmente terá impacto de curto prazo no destino político do Presidente, apesar dos crimes sobre a forma como o governo está lidando com a pandemia serem contundentes e incluírem charlatanismo e prevaricação.

O jornal japonês faz um histórico do “manuseio errático” do Presidente na condução da pandemia, negando a mesma, se posicionando e trabalhando contra as evidências científicas, como à imunização, atrasando a aquisição de vacinas e promovendo drogas não comprovadas como uma solução para o surto, incluindo hidroxicloroquina e ivermectina, enquanto lançava dúvidas sobre a eficácia das vacinas e estatísticas das mortes.

A imprensa japonesa ainda cita Bolsonaro, como um dos únicos líderes globais que se recusou a ser vacinado, e seu estilo intensificado de confrontação durante a pandemia, trabalhando “fortemente” para divulgar notícias falsas sobre a mesma. “À medida que as mortes e os casos se acumulavam, ele frequentemente fazia manchetes com comentários como “Todo mundo morre, o que você quer que eu faça?” e “Brasileiros pulam e mergulham em esgoto a céu aberto e nada acontece”’ disse o jornal.

The Japan Times destaca ainda os bastidores da finalização do Relatório da CPI que deveria acusar Bolsonaro de crimes mais graves, incluindo assassinato por omissão. E que as acusações foram retiradas no último minuto em meio a uma intensa reação dos senadores que o relator havia citado.

Na Europa, BBC dá ênfase principalmente aos escândalos e corrupção no governo que a CPI revelou, culminando com o relatório que pede a acusação do presidente Jair Bolsonaro por uma série de crimes pela forma que ele lidou com a disseminação do COVID-19 no Brasil. The Guardian destaca os pontos do relatório sobre a forma “macabra”, “desleixada” e “a negligência deliberada” dos povos indígenas que o Presidente deu à pandemia.

France24 também destaca os seis meses de audiências da CPI, “com declarações emocionantes de testemunhas e revelações assustadoras,” e a solicitação à Procuradoria Geral da Republica de acusações contra cerca de 60 pessoas, incluindo cinco ministros ou ex-ministros e três dos filhos de Bolsonaro.

Na América Latina, El Pais historia e tenta explicar as divergências de bastidores entre os senadores da comissão, com Bolsonaro acusado de crime contra a humanidade e o charlatanismo no relatório da CPI da Pandemia no relatório final de mais de 1000 páginas, lido oficialmente há dois dias e a ser votado na próxima semana.

India Today e The Hindu, ambos do país recentemente visitado pelo presidente brasileiro e sua comitiva de mais de 60 pessoas, são os únicos jornais internacionais de grande influência que aparecem dando destaque à versão do presidente de que as 11 acusações contra ele contidas no relatório da CPI do Senado ainda a ser votado na próxima semana são “pura fantasia” e “estúpidas”.

Contudo, há uma certa ironia por parte da imprensa indiana, quando publicam dizeres do presidente em uma de suas lives online, tais como “Não nos prendemos ao politicamente correto. Escolhi o lado certo e o lado da verdade é sempre o mais difícil. A política de ficar em casa estava entre as mais perversas da (história da) humanidade”. O que quer dizer que o presidente Jair Bolsonaro pode estar, de certo modo, certo. Afinal, do ponto de vista do mar, é a terra que balança.

Ana Alakija é Jornalista com Mestrado em História (Salem State University, Massachusetts)

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