Câmara em Pauta Pioneira do Candomblé, mãe de santo recebe título de cidadã honorária
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Pioneira do Candomblé, mãe de santo recebe título de cidadã honorária

Na manhã desta segunda-feira (7/3), às vésperas do Dia da Mulher, a mãe de santo Auta Maria de Jesus, conhecida como Dona Nenê, recebeu o título pós mortem de cidadã honorária do Distrito Federal. Dona Nenê manteve as tradições do Candomblé e fortaleceu as raízes do Axé em Brasília. Enfrentando a intolerância religiosa, atendeu inúmeras pessoas em seu terreiro na Ceilândia, guardou entre seus pertences dezenas de cartas de filhos e filhas de santo, que hoje, junto à família de sangue e seus amigos, mantêm a Yalorixá viva em sua espiritualidade.

A sessão solene foi iniciada pelo autor da homenagem, deputado Fábio Félix (PSOL) e contou com a presença de parentes, amigos e de representantes das comunidades tradicionais de matriz africana. Dona Nenê nasceu em 1923, na Bahia, e se mudou para Brasília em 1960. Cuidou do próprio terreiro no quintal de casa, na Ceilândia, e nunca se esqueceu de suas raízes. “O reconhecimento de Dona Nenê não se esgota apenas na memória de seus filhos de santo e familiares, também está presente na lembrança de pessoas destacadas no Candomblé do Distrito Federal”, ressaltou Fábio Félix.

Dona nenê e sua família também tiveram a história contada em 2019, na exposição Reintegração de Posse, que mostrava a presença negra na construção da capital, apresentada no Museu Nacional, no Restaurante Universitário da Universidade de Brasília (RU-UnB) e na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).

Conforme apontado por Ana Flávia Magalhães, professora doutora da UnB e coordenadora da Regional Centro-Oeste do GT emancipações e pós-abolição da Associação Nacional de História, atos de combate ao preconceito e à intolerância devem ser realizados com constância. “As ações de reparação de injustiças praticadas neste país contra pessoas negras devem acontecer diariamente”.

Ana Flávia contou ainda que as iniciativas devem partir de todos os lugares, incluindo as universidades, sobretudo das instituições públicas. “ A educação é um direito garantido na constituição brasileira, quando a gente impacta o que se vive dentro da universidade, a gente acaba também promovendo reverberações no ensino básico e ampliando o debate na sociedade”, disse. “O conhecimento produzido na universidade é feito em três pilares, ensino pesquisa e extensão, a extensão é justamente a oportunidade que a universidade tem de dialogar, de ensinar, mas também aprender”, completou a professora.

“A gente não sabe, mas nossos bisnetos já estão aqui”

Andressa Marques, bisneta de Auta Maria, encontrou a avó do pai, que nem ele mesmo conhecia, com a ajuda do que muitos chamariam de sorte, mas que para ela foi força espiritual. Foi depois de conversar com a amiga Ana Flávia Magalhães que Andressa decidiu buscar seu próprio passado e acabou encontrando a bisavó, uma raiz muito mais forte do que ele pensou ser possível encontrar.

Para ela, a homenagem à bisa tem uma importância muito grande, não só para a família, mas também para as comunidades tradicionais de matriz africana. “Sei o quanto isso significa simbólico e politicamente, também sei que é preciso coragem e uma dose extra de compromisso social”, afirmou.

A busca pelo título de cidadã honorária para Dona Nenê vinha desde 2019 e tudo mudou quando a Yalorixá faleceu em 2021, o processo para conquistar a homenagem foi trocado, mas a determinação para consegui-la, não, a força empenhada para o reconhecimento foi análoga à força de Auta Maria em vida. “Celebrar os feitos de uma Yalorixá que viveu como quis viver, foi livre, fundou seu pequeno terreiro e o manteve por tantos anos enquanto sua força física a deixou, é reconhecer a importância do microcosmo da vida, que não é só da minha bisa, mas da vida de todos nós. É em ruas como a QNO 6 que a história do povo dessa cidade aconteceu e acontece”, destacou Andressa.

A bisneta de Dona Nenê lembrou a importância de saber o que aconteceu antes de nós para que o presente faça sentido, e parafraseando o cantor Mateus Aleluia, frisou que nosso futuro já está aqui. “A história se faz por pessoas que insistem em viver, celebremos hoje minha bisavó, é importante nos conectarmos com o que veio antes de nós para entendermos o hoje e construirmos o que virá adiante, a gente não sabe, mas os nossos bisnetos já estão aqui.”

Ao final da sessão solene, todos ficaram de pé para cantar, homenagear e lembrar Auta Maria e em seguida foram convidados para a entrega do título de cidadã honorária.

Você pode assistir a homenagem completa acessando o canal do YouTube da TV Câmara Distrital.

Isabella Almeida (estagiária) – Agência CLDF

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