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TITULO DA CAMPANHA

Empresários bancam o “BOLSOLÃO” contra o PT e Haddad pelo WhatsApp

Postado por Simone de Moraes

18/10/2018 14:53



Reportagem do jornal Folha de S.Paulo desta quinta-feira, aponta que diversas empresas estão comprando pacotes de disparos em massa de mensagens contra o PT e o contra o candidato Fernando Haddad no WhatsApp, em apoio ao candidato Jair Bolsonaro (PSL). Já conhecido como o “Bolsalão”Os contratos chegam a 12 milhões de reais e a Havan, que apoia Bolsonaro, está entre as compradoras, diz a reportagem.A prática seria ilegal pois se trata de doação de campanha por empresas, o que é vedado pela legislação eleitoral, além de não declarada.

Questionado pela Folha, Luciano Hang, dono da Havan, disse que não sabe “o que é isso” e que “não temos essa necessidade.”

A operação envolve o envio de centenas de milhares de mensagens pelo Whatsapp e estaria sendo arquitetada para a semana que antecede a votação do segundo turno das eleições, no próximo dia 28. A Polícia Federal foi acionada, nesta quarta, pela coligação O Povo Feliz de Novo, para que investigue as denúncias de irregularidades associadas as fake news, doações não declaradas do exterior, propaganda eleitoral irregular e uso indevido do aplicativo WhatsApp.

As mensagens contra Haddad e a favor do candidato Jair Bolsonaro (PSL) são enviadas a partir de uma base de dados dos apoiadores do capitão reformado ou compradas de agências de marketing digital, o que também é considerado ilegal, pois a legislação proíbe a venda de dados de terceiros. Segundo a reportagem, o preço de cada mensagem pode variar entre R$ 0,08 a R$ 0,12 quando utilizada a base de apoiadores de Bolsonaro e até R$ 0,40 quando utiliza a base das próprias prestadoras.

Estas listas de contatos também teriam sido adquiridas de maneira ilegal por meio de empresas de cobrança ou por funcionários de empresas de telefonia. Quickmobile, Yacows, Croc Services e SMS Market estão entre as agências que estariam prestando o serviço ilegal. A Quickmobile nega envolvimento e a Yacows afirmou que não vai se manifestar. Já a SMS Market não respondeu aos questionamentos da reportagem. O empresário Luciano Hang também nega participação.

Já o candidato Jair Bolsonaro pagou R$ 115 mil à agência AM4 Brasil Inteligência Digital, segundo prestação de contas fornecida ao Tribunal Superior Eleitoral. À Folha, a empresa oficialmente nega fazer a prática de disparo em massa de mensagens, e diz atuar com grupos de WhatsApp apenas para denunciar notícias falsas – as chamadas fake news –, além de “listas de transmissão e grupos estaduais chamados comitês de conteúdo”.

A reportagem, contudo, apurou que a AM4 Brasil utiliza ferramenta que fornece números de telefones de fora do país, utilizados como administradores para assim escaparem de filtros e limitações locais impostos pelo WhatsApp, assim podendo incluir grupos com o maior número de participantes, bem como o repasse automático de mensagens para mais grupos e pessoas. A empresa ainda utilizaria algoritmos para diferenciar os usuários de cada grupo, classificando-os como apoiadores, neutros ou opositores, para personalizar o tipo de mensagem enviada.

Reação

O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, acusou o seu adversário no segundo turno, Jair Bolsonaro (PSL), de criar uma organização criminosa com empresários para enviar notícias falsas contra a campanha petista pelo aplicativo WhatsApp.

“O jornal comprova que o meu adversário Jair Bolsonaro, deputado há 28 anos, organizou, criou uma organização criminosa de empresários que, mediante caixa dois, dinheiro sujo, está patrocinando mensagens pelo WhatsApp mentirosas”, disse Haddad em entrevista à rádio Tupi, do Rio de Janeiro.

“Nós vamos pedir providências para a Justiça Eleitoral e para a Polícia Federal para que esses empresários corruptos sejam imediatamente presos para parar com essas mensagens de WhatsApp… Fazer conluio com dinheiro para violar a vontade popular é crime, as mensagens que ele está mandando por WhatsApp são todas pagas com caixa dois e ele vai ter que responder por isso”, acrescentou.

O PT também reagiu. Após ter pedido na quarta-feira (17) à Polícia Federal uma investigação sobre a disseminação de supostas notícias falsas pela campanha de Bolsonaro, a Executiva do partido também lançou uma nota sobre o caso dos empresários:

“É uma ação coordenada para influir no processo eleitoral, que não pode ser ignorada pela Justiça Eleitoral nem ficar impune”.

O partido diz que está tomando todas as medidas judiciais para que Bolsonaro responda “por seus crimes, dentre eles o uso de caixa 2, pois os gastos milionários com a indústria de mentiras não são declarados por sua campanha.”

A legenda do presidenciável Fernando Haddad pretende entrar ainda nesta quinta-feira com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir providências.

Até agora, Bolsonaro não se manifestou sobre o caso. Em seu Twitter, falou apenas sobre o apoio que tem recebido.

“Sempre dissemos que não existe salvador da pátria, mas graças a união do brasileiro temos a chance real de não virarmos a próxima Venezuela. Juntos, daremos o pontapé para fazermos do Brasil uma das mais respeitáveis potências mundiais, cuja posição jamais deveria estar de fora!”, afirmou.

Ele também pediu para que não haja relaxamento na campanha. “Jamais confiem em pesquisas! Não relaxemos!”, escreveu. “Nossa pesquisa é o sentimento nas ruas!”, disse.

(Com Pedro Fonseca, da Reuters, Folha, Exame e rede Brasil Atual )

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