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Cúpula do Clima: Promessa de Bolsonaro de proteger Amazonia é recebida com ceticismo

Postado por Ana Alakija

22/04/2021 12:18


Crédito: White House

De Boston – Começou hoje online e vai até amanhã, a Conferência Internacional do Clima convocada por Joe Biden e que reúne 40 líderes de países para discutir especialmente como salvar o planeta diante das mudanças climáticas. O presidente Jair Bolsonaro, é um dos participantes da Conferência, e está lado a lado de líderes como a chanceler Angela Merkel da Alemanha, o primeiro ministro do Canadá Justin Trudeau, o presidente da Republica Popular da China Xi Jinping, o presidente da Africa do Sul Cyril Ramaphosa, o presidente da Rússia Vladimir Putin, e o primeiro ministro do Reino Unido, Boris Johnson. Mas a presença do presidente brasileiro praticamente destoa dos demais da cúpula.

A contenção do aquecimento global é tido como um dos tópicos da conferência em que os EUA não entram em atrito com seus adversários políticos e econômicos, como a China e a Rússia, com os seus chefes de Estado, Xi Jinping e Vladimir Putin, respectivamente. Na abertura do evento, Biden (foto) anunciou que os EUA pretendem cortar as emissões que causam o aquecimento do planeta pela metade até o final da década, uma meta que exigirá que os americanos transformem a maneira como dirigem, aquecem suas casas e fabricam produtos.

Com seu tosco estilo sem cumprimentar o anfitrião, Bolsonaro proferiu seu discurso na conferência buscando “impressionar” os líderes de outras nações, ao dizer que determinou a antecipação para 2050 o prazo para o Brasil zerar as emissões de gases do efeito estufa (o prazo era 2060). Diz o ditado que amarra-se o burro conforme o dono. Enquanto o presidente Jair Bolsonaro continua tentando “convencer” aos partícipes da cúpula a liberarem bilhões de dólares para proteger a Amazônia, a sua característica de “vilão ambiental” prevalece na sua reputação.

A edição do New York Times de hoje enfatiza o estilo negacionista do presidente brasileiro. Segundo avalia o jornal, a promessa repentina e oportuna de Jair Bolsonaro de reparar seu histórico de “vilão ambiental” está sendo recebida na cúpula com ceticismo.

Doadores estão relutantes em fornecer o dinheiro, uma vez que o Brasil sob a administração Bolsonaro tem se ocupado fazendo o oposto da conservação. O governo federal vem destruindo o sistema de proteção ambiental do país, minando os direitos indígenas e defendendo as indústrias que impulsionam a destruição da floresta tropical.

“Ele quer dinheiro vivo sem restrições reais”, como disse ao NYT, Marcio Astrini, que dirige o Observatório do Clima, uma organização de proteção ambiental no Brasil. “Este não é um governo confiável: nem sobre democracia, nem sobre o coronavírus e muito menos sobre a Amazônia.

Sob a administração de Bolsonaro, o desmatamento na floresta amazônica, de longe a maior do mundo, atingiu o nível mais alto em mais de uma década. A destruição, que foi impulsionada por madeireiros limpando terras para pastagem de gado e para operações de mineração ilegais, gerou indignação global em 2019 quando enormes incêndios florestais ocorreram por semanas.

Conversa para boi dormir

O NYT faz uma retrospectiva dizendo que depois que a Casa Branca mudou de mãos em janeiro, os EUA começaram a pressionar o Brasil para conter o desmatamento, juntando-se à União Europeia, Noruega e outros para alertar que a piora de sua reputação prejudica o potencial econômico do país.

“Queremos ver resultados concretos”, teria dito Todd Chapman, embaixador dos EUA no Brasil, a um grupo de líderes empresariais brasileiros no início deste mês. “Madeireiros e mineradores ilegais, toda essa atividade ilegal, você quer pagar a conta disso?”

Logo após a posse do presidente Biden, altos funcionários de seu governo começaram a se reunir com o ministro do meio ambiente de Bolsonaro, Ricardo Salles, em um esforço para buscar um terreno comum antes da reunião climática deste mês. As reuniões a portas fechadas foram vistas com apreensão pelos ambientalistas, que desconfiam profundamente do governo Bolsonaro. As negociações geraram campanhas agitadas de ativistas com a intenção de alertar as autoridades americanas para não confiarem no governo brasileiro.

Os americanos também precisavam acalmar as penas após também agitada campanha presidencial. Durante a campanha, depois que Biden declarou durante um debate com Donald Trump, de quem Bolsonaro era aliado, que buscaria arrecadar US $ 20 bilhões para salvar a Amazônia, o presidente brasileiro se irritou, chamando isso de uma “ameaça covarde contra nossa integridade territorial e econômica”.

Criticado maciçamente na época por seus opositores no Brasil, e recentemente afetado após a impugnação pelo STF dos processos contra o ex-presidente Luis Inacio Lula da Silva, agora livre para concorrer as eleições presidenciais em 2022, o atual presidente brasileiro adotou um tom muito mais conciliatório com Biden, em uma carta de sete páginas que enviou ao presidente norte-americano no início deste mês.

“Temos diante de nós um grande desafio com o aumento das taxas de desmatamento na Amazônia”, escreveu Bolsonaro na carta de 14 de abril, que argumenta que a reputação do Brasil como malfeitor ambiental não é merecida. Enfrentar esse desafio, acrescentou o líder brasileiro, exigirá um “investimento maciço”. Para começar, disse Salles em uma entrevista em março, o governo ficaria feliz em receber os US $ 20 bilhões propostos por Biden, considerando a soma “proporcional aos desafios que temos na Amazônia”.

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