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Oficial da PM homenageado por Flávio Bolsonaro é suspeito de comandar milícia na Praia do Recreio

Postado por Simone de Moraes

28/01/2019 9:46


Crédito:

Ronald Paulo Alves Pereira, foi homenageado pelo senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) em 2004. Na época, o filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Flávio fez uma Moção de Louvor e Congratulações homenageando o policial por “importantes serviços prestados ao Estado do Rio de Janeiro.

Leia a matéria do Extra:

O Ministério Público do Rio investiga se a milícia de Rio das Pedras chegou à orla do Recreio dos Bandeirantes. Promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) encontraram indícios, no celular do major Ronald Paulo Alves Pereira, preso na última terça-feira sob a acusação de ser um dos chefes do grupo paramilitar, de que o oficial também é responsável por extorquir barraqueiros e vendedores ambulantes na Praia do Recreio.

No telefone, policiais encontraram imagens de recortes de reportagens colecionados pelo major que mencionam a existência da cobrança de propina pela milícia na praia e que um oficial da PM era o chefe do grupo. “Evidente que se não se tratasse de Ronald, não haveria qualquer justificativa para que o mesmo mantivesse armazenado” o material no aparelho, escrevem os promotores do Gaeco na denúncia contra Ronald Paulo e os outros 12 acusados de integrar a quadrilha.

Segundo moradores e frequentadores do Posto 12 ouvidos pelo EXTRA, os profissionais que trabalham nesse trecho da praia são obrigados, pelo menos desde 2016, a pagar R$ 20 por dia à milícia nos dias de sol. O valor aumenta no verão, quando a lotação da praia aumenta. Os paramilitares também proíbem o uso e a venda de drogas no local. Adolescentes flagrados furtando banhistas naquele trecho são punidos com espancamentos.

Os arquivos do celular também revelam detalhes da atuação do major em transações de compra e venda de imóveis construídos ilegalmente em Rio das Pedras e na favela vizinha, a Muzema. Ronald Paulo guardava, no aparelho, imagens de empreendimentos em construção, contratos de locação e compra e venda de imóveis, plantas e croquis de prédios e fotos da área interna de apartamentos, o que mostra, segundo a denúncia do MP, “sua participação ativa no ramo imobiliário”.

Major Tartaruga e capitão Gordinho

No celular de Ronald Paulo, apelidado de Tartaruga por seus comparsas, os promotores também encontraram provas de sua estreita relação com o ex-capitão Adriano Magalhães da Nóbrega, apontado como fundador do Escritório do Crime, uma quadrilha de matadores de aluguel que está por trás de diversos homicídios no Rio.

Em uma planilha contábil armazenada no aparelho, Gordinho aparece como um dos beneficiários da divisão de valores da quadrilha. Segundo os promotores, somente amigos íntimos chamam Adriano dessa maneira. Na PM, os seus apelidos eram Urso Polar e Maromba, por conta do porte físico. Após ser expulso da corporação, Adriano perdeu músculos e engordou.

A dupla é suspeita de envolvimento nos homicídios da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes. Sinais de um celular “bucha” de Ronald Paulo — comprado em nome de terceiro — foi captado perto do local do crime dias antes da execução.

Reprovado

O major foi reprovado no exame psicotécnico para ingresso na Polícia Militar, em 1995. De acordo com o parecer da psicóloga que o avaliou na ocasião, o oficial “demonstrou irritabilidade, onipotência, parecendo não priorizar a Escola de Formação de Oficiais”.

Na Justiça

O oficial entrou na Justiça contra a decisão e, em outubro de 1998, conseguiu ser empossado aspirante a oficial, argumentando que se formou no curso com média 7,56.

Condomínio

Ele foi preso em casa, no condomínio Essence, perto do Parque Olímpico, m Curicica. Segundo moradores, os apartamentos mais caros no local valem mais de R$ 1 milhão.

Homicídio

Em abril, Ronald vai à júri pelo homicídio de quatro jovens na antiga boate Via Show, na Baixada Fluminense, em 6 de dezembro de 2003. Na ocasião, Renan Medina Paulino, de 13 anos, Rafael Medina Paulino, de 18, Bruno Muniz Paulino, de 20, e Geraldo Sant’Anna, de 21, teriam se envolvido numa confusão na casa noturna e acabaram sendo sequestrados por PMs que faziam a segurança do local.

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