Muitos protestos contra a política econômica do governo federal e também contra a falta de investimentos na geração de empregos, no DF, marcaram a sessão solene que a Câmara Legislativa realizou na manhã desta segunda-feira (4) para comemorar o Dia do Trabalhador. A iniciativa foi do deputado Robério Negreiros(PMDB), que criticou a ausência de representantes dos trabalhadores no evento.
"O Brasil passou o 1º de maio sem ter o que comemorar. As taxas de desemprego galopam na mesma velocidade do crescimento inflacionário", criticou Negreiros, ao analisar os efeitos da crise econômica do País. Segundo lamentou, os empresários estão sendo levados a contabilizar, a cada dia, cortes nos postos de trabalho. "Nos próximos dias poderemos ter um maior número de desempregados, com a comprovação do rombo alardeado por causa da paralisia do Estado", alertou.
Entre os representantes das entidades empresariais que se manifestaram na sessão solene também prevaleceu o sentimento de pessimismo em relação à expectativa de melhoria da situação dos trabalhadores brasileiros. O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Sinduscon), Luiz Carlos Pereira, por exemplo, condenou o governo local por estar atuando "apenas com os olhos no retrovisor".
Para o empresário, o governo local deveria aproveitar o 1º de maio para "marcar a mudança na estratégia necrófila, que está defendendo". Ele cobrou o pagamento das dívidas do governo junto às empresas contratadas, lembrando que o prolongamento do atual "calote" poderá aumentar ainda mais o nível desemprego local. "Do jeito que está, a cada mês teremos cinco mil novos desempregados no setor da construção civil no DF", previu.
O presidente da Federação do Comércio do Distrito Federal (Fecomércio), Adelmir Santana, lembrou a relevância das conquistas legais dos trabalhadores, ao longo dos últimos 60 anos, mas ressaltou a gravidade da crise na execução de vários programas sociais do governo, que deveriam favorecer os trabalhadores. "O vale-transporte, por exemplo, foi muito bem- vindo. Mas o transporte público continua uma desgraça. O SUS, que também foi criado para proteger a saúde dos trabalhadores, é uma catástrofe", afirmou.
Formação – A necessidade de mais investimentos na qualificação dos jovens trabalhadores, como uma alternativa para a redução dos níveis do desemprego, foi defendida pelo gerente de Assuntos Institucionais e Corporativos do Centro de Integração Empresa Escola (CIEE), Ricardo Romeiro. Ele comentou que no passado o estágio sempre fora tratado de forma "elitizada", envolvendo apenas as grandes empresas. E lamentou o fato de a crise econômica prejudicar também a oferta de vagas de estágios, sobretudo nas pequenas empresas, do comércio.