A deputada federal Erika Kokay (PT-DF) informou que vai protocolar duas representações junto ao Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT), pedindo a revisão da conduta da Secretaria de Educação do DF e a suspensão da sindicância aberta contra Heloise Lago Moraes, diretora do Centro de Atenção Integral à Criança (Caic) em São Sebastião, por conta das pinturas do muro da escola. Segundo a assessoria da deputada, as representações serão entregues às promotorias de Defesa da Educação e de Defesa dos Direitos do Cidadão.
A SEDF considerou algumas das pinturas ofensivas. Criada por artistas da cidade, a obra tem 102 painéis cobrindo cerca de 400 metros de muro, com diversos painéis. “Afinal, nós estamos ou não estamos numa gestão democrática? Não podemos querer apagar o muro por que alguém se sente ofendido com a verdade. A fila do SUS é uma realidade nos hospitais desse país”, afirmou Erika Kokay, em ato em defesa das pinturas, na última terça (23), referindo-se a um dos painéis que critica a precariedade do Sistema Único de Saúde.
A SEDF informou que a sindicância tem prazo de 15 dias e vai apurar em que contexto as pinturas foram feitas e se houve infração administrativa por parte dos funcionários do Caic. Ao final, a secretaria vai decidir que providências serão tomadas em relação aos painéis questionados. Afirmou ainda que as pinturas foram feitas exclusivamente com autorização do conselho escolar e da diretora da escola e que a unidade escolar é uma repartição distrital, por isso deveria ter tido autorização da pasta para realizar as pinturas.
Painéis – A SEDF afirmou nesta quinta (25) que os painéis retratam “cenários controvertidos que desqualificam instituições de forma gratuita e lançam mão de imagens de incontestável mau gosto”. Além da crítica ao SUS, uma das pinturas feitas no muro da escola, uma faz crítica direta ao governo local: “Não precisamos da educação falida do GDF”. No ato de terça (23), manifestantes cobriram a pintura com uma faixa escrita “censurado”.
Os grafittis foram feitos gratuitamente por integrantes do Instituto Metamorfose, alguns deles alunos da escola, de setembro a dezembro do ano passado e traz diversas críticas sociais, como um pedinte ignorado por homens de terno em frente à estátua da Justiça, na Praça dos Três Poderes; o Congresso Nacional retratado com um cifrão no meio das duas torres e o povo de um lado, com semblante triste, e do outro uma figura de chapéu carregando bolsas de dinheiro.
Pichações – De acordo com Heloísa, o projeto foi aprovado pelo conselho escolar, mas vem sendo questionado desde outubro do ano passado pela coordenação de ensino e a administração regional. “A gente tinha muita problema com as pichações. Elas serviam de marcação de gangue. Era horrível o muro. Surgiu a oportunidade de fazer esse projeto, sem ônus, óbvio que o conselho escolar aprovaria”, disse a diretora.
A diretora relata que a escola recebeu um documento dizendo que ela “feria o apreço ao recinto” ao permitir os grafites e que chegou a haver uma ordem para apagar os painéis, mas depois eles foram liberados pela administração.