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A invasão ao grupo “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro” teria sido financiada

Postado por Simone de Moraes

16/09/2021 22:40


Crédito: Reprodução

Uma petição enviada pela defesa da ex-ministra do Meio Ambiente do governo Lula, Marina Silva (Rede) ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sugere que o ataque hacker feito em setembro de 2018 contra o grupo de Facebook “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro” pode ter sido financiado. As informações foram anexadas a uma ação que corre na Corte Eleitoral. Nela, Marina pede a cassação do mandato de Jair Bolsonaro (sem partido) e a inelegibilidade do presidente.

O grupo invadido, que chegou a ter 2,7 milhões de participantes, foi o principal responsável por organizar o “Movimento Ele Não”. Depois do ataque, o nome foi alterado para “Mulheres com Bolsonaro” e a página passou a veicular conteúdo a favor do presidente. Bolsonaro chegou a replicar material produzido depois da invasão.

Ao apurar o caso, a PF (Polícia Federal) chegou ao nome de Victor Gabriel de Oliveira, supostamente envolvido no ataque. A partir daí, a própria defesa de Marina Silva passou a investigar Oliveira e descobriu pagamentos suspeitos feitos ao rapaz por meio da ferramenta PayU. O documento está em sigilo, mas o Poder360 teve acesso.

A defesa analisou um processo movido pelo suposto hacker contra a PayU. Na ação, Oliveira pede indenização de R$ 50.000 por ter R$ 36.000 mil bloqueados em sua conta na plataforma.

Ele afirma que o dinheiro veio de vendas de eletrodomésticos. Ao justificar o bloqueio, a PayU deu outra versão: afirmou que bloqueou a conta ao identificar diversas operações suspeitas feitas de 20 a 21 de setembro de 2018, menos de uma semana depois do ataque ao grupo.

Segundo a plataforma, Oliveira não entregou nenhum dos bens supostamente vendidos e os valores enviados para a conta vieram, em sua maioria, de CPFs inexistentes. Os pagamentos foram feitos via boleto bancário, o que é considerado incomum em vendas realizadas pela internet. Os horários também foram considerados pouco habituais: 5 pagamentos foram feitos às 4h54 da manhã e outros 5 às 4h55.

“Fato é que as circunstâncias ora noticiadas demonstram que há fortes indícios de que os crimes que justificam a instauração desta Ação de Investigação Judicial Eleitoral foram praticados por meio de associação de indivíduos, que de forma sistemática, complexa e contando com o financiamento de terceiros, buscaram aviltar as eleições gerais de 2018, suprimindo a liberdade de pensamento e expressão de parcela significante de cidadãs brasileiras”, diz o documento enviado ao TSE.

“Reprisa-se que Mulheres Unidas Contra Bolsonaro não se limitou a um mero grupo de rede social, tendo sido o embrião do movimento popular conhecido como “#elenao”, uma das mais representativas, legítimas e fortes expressões eleitorais da cidadania nas eleições de 2018, o que torna ainda mais importante que sejam elucidados os fatos em investigação e punidos os responsáveis por tais crimes contra a democracia”, prossegue a petição.

Caso será investigado

No documento enviado ao TSE, a defesa de Marina Silva pede que as supostas evidências de financiamento sejam enviadas à PF e ao MP-SP (Ministério Público de São Paulo).

O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Luis Felipe Salomão abriu prazo de 5 dias para Jair Bolsonaro, o vice-presidente Hamilton Mourão e o MPE (Ministério Público Eleitoral) se manifestarem sobre o caso. Será investigada a hipótese de lavagem de dinheiro.

Eis a íntegra do despacho (117 KB).

Atuam no caso defendendo Marina Silva os advogados Rafael Moreira Mota e Saulo Melcher Ávila.

“A apuração dos fatos que orbitam a invasão tem avançado bastante com o valoroso apoio da Polícia Federal, que já apontou dados pessoais e telemáticos de indivíduos possivelmente envolvidos nos crimes”, disse Mota ao Poder360.

Ele afirma que falta apurar se o suposto hacker tinha contato com Bolsonaro ou com algum envolvido na campanha do presidente.

“Os fatos novos que vieram à tona indicam que indivíduo apontado pela Polícia Federal como envolvido nos ataques tentou receber valores poucos dias após os ataques, utilizando-se de artifícios para ocultar a identidade de quem o remuneraria. Agora resta investigar a ligação com os candidatos ou com alguém da campanha”, diz.

 

Do Poder360

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