Interventor do Grupo Amaral denuncia superfaturamento da TCB

Publicado em: 05/11/2013

O engenheiro José Weber Arnault, que atuou no processo de intervenção do governo do Distrito Federal nas empresas de transporte do Grupo Amaral, disse ao Ministério Público nesta segunda (04) que presenciou casos de superfaturamento na compra de peças e serviços. Weber prestava consultoria à Sociedade de Transportes Coletivos de Brasília (TCB), empresa pública encarregada de reformar e colocar os ônibus do grupo em operação.

 

O interventor entregou ao promotor de Justiça Alexandre Sales de Paula e Souza computador utilizado durante os oito meses em que trabalhou prestando consultoria ao governo. O presidente da TCB, Carlos Alberto Kock, negou todas as denúncias e afirmou que entrou com uma queixa contra Weber na 2º Delegacia de Polícia do DF por suposta tentativa de extorsão de fornecedores. “Eu não tinha conhecimento do caráter do Weber e por isso o contratei. Depois as histórias foram surgindo”, disse.

 

O secretário de Transportes, José Walter Vazquez Filho afirmou que os gastos feitos pela TCB durante o processo de intervenção serão apresentados ao governo nas próximas semanas. Segundo ele, os números serão avaliados pelo Tribunal de Contas do DF (TCDF). “Os dados serão apresentados e verificados pelos órgãos de controle. As peças de ônibus que sobrarem serão incorporadas ao patrimônio da TCB”, disse.

 

Em fevereiro, o GDF assumiu o controle de três empresas do Grupo Amaral por causa de falhas na prestação do serviço. Weber foi contratado no dia 25 de fevereiro para prestar orientação técnica à TCB. De acordo com Kock, o governo gastou entre R$ 50 milhões e 55 milhões na intervenção. Câmara em Pauta lembra que o jornalista brasiliense Chico Sant’Anna havia levantado a lebre de que a intervenção serviria à recuperação econômica do Grupo Amaral, com dinheiro público.

 

Gastos – Segundo Weber, a TCB comprou peças em excesso, equipamentos que não servem para ônibus e pagou mais de R$ 1 mil por dia para serviço de guincho, valor que, segundo ele, está muito acima do mercado. O presidente da TCB disse que as empresas não tinham interesse em atuar nas áreas onde o Grupo Amaral prestava serviços e, por isso, ofereceu R$ 1 mil por dia para que cada guincho ficasse à disposição do governo. “Eu achei que seria uma boa solução e oferecemos R$ 1mil por guincho”, disse. “Com esse dinheiro, mais de R$ 200 mil, dava para comprar um guincho. Com a frota existente, minha orientação era gastar R$ 7 mil por mês, para, em média, 20 viagens”, discorda Weber.

 

O interventor relatou ainda que a TCB comprou 1,3 mil pneus durante a intervenção para uma frota de 164 ônibus em funcionamento. “Só uma montadora compra de uma vez 1,3 mil pneus. Era tanto pneu que para não chamar a atenção houve uma orientação da TCB para colocar as peças em ônibus velhos, que não operam mais. E tinha ônibus novo, que nunca tinha andado, recebendo pneu também, sendo que só se usa pneu novo na dianteira e atrás se usa recauchutado”, afirmou.

 

Weber também denunciou decisão da TCB de não registrar cada pneu com o nome da empresa de ônibus e o número de série, o que, segundo ele, ajudaria a evitar desperdícios e a controlar o uso das peças. “Não me deixaram fazer nenhum tipo de controle. Para mim, quem não quer controlar, quer roubar”, disse.

 

O presidente da TCB confirma que foram comprados mais de 1,3 mil pneus, mas disse que, se sobrarem peças, elas serão incorporadas ao patrimônio da empresa pública. “Foram muito mais de mil pneus, sim. Mas nenhuma peça será descartada. Se sobrar, a gente usa aqui na TCB”, garante. Kock confirmou ainda que não registrou os pneus e ouviu reclamações de Weber, na ocasião. “Eu sou o gestor, a decisão é minha e eu não quis registrar os pneus. Não achei necessário. Deveria ter colocado o Weber para ferrar cada pneu”, afirmou, irritado com os questionamentos.

 

Nota Fiscal– O site G1 informou que teve acesso a uma nota fiscal da TCB que mostra a compra de mais de 100 peças de carro para um modelo Blazer. De acordo com Weber, os gastos neste caso ultrapassaram R$ 30 mil, mas segundo ele, nem a TCB nem o grupo Amaral possuíam carros do modelo Blazer.

 

Kock inicialmente disse ao G1 que não havia Blazer na intervenção, mas posteriormente, quando a entrevista foi gravada em vídeo, ele afirmou que carros do modelo foram alugados pela TCB e que, por isso, teria havido a compra de peças. “É um imbecil, quero encontrar com ele na esquina para resolver isso”, afirmou Kock sobre Weber.

 

Outra denúncia feita por Weber ao Ministério Público e reafirmada ao G1 é de que a TCB gastava mais de R$ 1 mil por dia para cada uma das três empresas contratadas para fornecer serviços de guincho. Conforme dados publicados no Diário Oficial do DF, a TCB liberou em setembro R$ 236,4 mil em aluguel de guinchos. Três microempresas foram contratadas.

 

Garagem – Weber também acusa a TCB de superfaturar a obra de uma garagem de ônibus de São Sebastião. Em parecer de março deste ano, ele recomendou a reconstrução de um muro que havia desabado em decorrência de uma forte chuva, mas segundo ele, a TCB pediu que assinasse posteriormente a nota fiscal da reconstrução, que ficou em R$ 79 mil.

 

Weber afirma que se recusou a assinar a nota, pois a obra custaria, no máximo, R$ 20 mil. “Pela tabela da construção civil, um metro de muro custa R$ 100. Pelo tamanho do muro, a obra custaria R$ 18,3 mil, no máximo R$ 20 mil. Eu me recusei a assinar porque não passaria em qualquer auditoria”, disse.

 

Carlos Alberto Kock confirmou que Weber reclamou do custo do muro, mas disse que resolveu manter o pagamento. “Ele me encheu a paciência com esse muro. Eu disse que ele era o engenheiro responsável. Ele assinou, sim, a nota. E era um muro imenso que caiu, uma obra complicada e custou R$ 80 mil”, disse.

 

As informações são do G1.

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