Câmara em Pauta Sistema Jornal do Commercio de Comunicação limita atuação de seus profissionais nas redes sociais
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Sistema Jornal do Commercio de Comunicação limita atuação de seus profissionais nas redes sociais

Publicado em: 11/07/2011

 

Do OmbudsPe – Até onde vão os limites da liberdade de expressão? E da liberdade de imprensa? Até onde vão os limites da autoridade de empresas de comunicação sobre opiniões e valores de seus funcionários? São perguntas mais do que atuais nesses tempos em que as redes sociais ganham cada vez mais espaço e repercussão. Recentemente, a BBC anunciou que pretende elaborar um contrato pare restringir os comentários de seus jornalistas no Twitter. A agência de notícias Associated Press também vem tratando do assunto, orientando seus profissionais sobre casos específicos.

No último final de semana, O Sistema Jornal do Commercio de Comunicação, sediado no Recife, deu sua contribuição para a discussão. Num email (leia aqui) enviado a todos os profissionais da corporação (não apenas ao jornalismo), o diretor superintendente do grupo, Rodolfo Tourinho, informou as novas regras de utilização das redes sociais, impondo limites à atuação dos profissionais nesses espaços e impondo regras que deverão ser atendidas “de forma absoluta”.

Algumas recomendações dizem respeito ao sigilo sobre processos internos do grupo ou mesmo sobre a não divulgação de informações que estão sendo apuradas pelo Sistema. Também está proibida a participação de profissionais da empresa em espaços de redes sociais mantidos por outras corporações. Ou seja: em tese, se um estagiário do JC, em seu tempo livre, participar de um evento contra a pedofilia, não poderá conceder entrevista a um site mantido pelo portal Terra.

Entre as normas, está a proibição de se expressar posições partidárias (que possam vir a prejudicar a independência editorial do SJCC). Alguns itens são narrados em texto aberto a diversas interpretações, como o de número 3: (é vedado )o repasse ao mercado de mídia de temas, direta e indiretamente, relacionados às atividades ligadas ao SJCC, ou qualquer outra informação e conteúdo obtidos em razão do relacionamento com o SJCC;

“Se a gente trabalha com comunicação, quase tudo é direta ou indiretamente relacionado às atividades da empresa, não é?”, desabafou um repórter. “O clima na redação está péssimo. Muita gente adquiriu o hábito de usar o twitter e o facebook, por exemplo. Outros têm blogs em que expressam suas opiniões sobre os mais diversos assuntos”, informou outra fonte deste Ombuds PE. “É mordaça, né?”, desabafou um outro, que com a decisão pretende encerrar suas atividades nas redes sociais. “E se eu fizer uma crítica a um cara que é amigo do JC? Não posso perder meu emprego?”.

A imprecisão e a margem de interpretação de algumas regras faz crer que a aplicabilidade delas está sujeita a algumas variáveis. Também suscita dúvidas que, de acordo com o email, “deverão ser encaminhadas ao departamento Jurídico”. Durante a tarde, diversos jornalistas ligados ao grupo trocaram mensagens manifestando sua insatisfação com a decisão empresarial. Quero ver quem vai ficar monitorando as redes sociais pra dedurar a galera”, alfinetou um funcionário.

“Como é que jornalista é formador de opinião se não pode nem ter sua própria opinião?”, afirmou outro, reservadamente. Num perfil do Facebook, um outro repórter postou, sem comentários em texto, imagens que representam a censura, como um rosto amordaçado ou um elefante com o rosto coberto por um lençol.

Informado sobre a mensagem, o representante do Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco (SinjoPE) na Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) se disse surpreso com o conteúdo. “Tudo o que diz respeito à liberdade de expressão faz parte de nossa luta e de nosso interesse. A mensagem do superintendente aos profissionais do SJCC me causa uma estranhamento muito grande, até porque vai na contramão de tudo que vem sendo feito e discutido em todo o Brasil. O que queremos é que a liberdade de se comunicar seja de todas as pessoas e certamente não é dessa maneira unilateral que o assunto tem que ser tratado”, opinou. Mello conclui informando que a SinjoPE deverá reunir-se amanhã e o assunto será tratado de forma institucional pela representação profissional.

Procurado por este OmbudsPE para falar sobre o comunicado, Tourinho não estava disponível. “Ele está cheio de reuniões. Não pode falar nem cinco minutos. Não tem tempo nem para a própria equipe interna”, explicou sua secretária.

Sendo assim, se o superintendente, ou qualquer outro diretor do SJCC, desejar utilizar este espaço para esclarecer ou argumentar sobre este conteúdo – ou sobre qualquer outro – poderá entrar em contato com este OmbudsPE e terá sua expressão garantida, seja através de artigo, entrevista, vídeo o formato que preferir, com o devido destaque.

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