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O Neo-peleguismo e o enfraquecimento da luta sindical

Postado por Simone de Moraes

30/06/2011 2:03



Na atual conjuntura o movimento sindical se encontra perto do abismo. A política sindical, na sua maioria, está alinhada com os projetos de conciliação proposto pela norma desenvolvimentista. O que está por trás dessa política é o aniquilamento da ação sindical oficializada pelo neo-peleguismo. Pelego é o termo utilizado para designar os representantes sindicais e seu grupo de apoio político, que faz o jogo dos administradores e governos e das entidades patronais.

O Pelego é aquele que se apropria das direções sindicais, considerando a entidade como seu próprio quintal – consciente ou não – para servir de “amortecedor” entre governo e classe trabalhadora, fazendo com que a política governamental tenha maior aceitação entre os trabalhadores, se utilizando de discursos forjados visando garantir uma maior aceitação entre seus pares.

Na maioria das vezes se coloca como reais defensores de seus associados em detrimento de seus interesses, ocasionando, por vezes, a desmobilização de sua categoria. O auge do Movimento sindical Brasileiro se deu no final dos anos 70, com a retomada das lutas contra o regime militar e o anseio pela volta à democracia. Talvez o termo “volta” seja utilizado de maneira ingênua, um pouco exagerado considerando os acontecimentos no período de 1945-64, que nunca antes na história desse país se viu tanta arbitrariedade, como por ex- o golpe que depôs o vice-presidente que assumira a presidência com a renúncia de Jânio Quadros, João Goulart.

O movimento sindical se estruturou e cumpriu papel fundamental nesse processo de redemocratização pós-1985, como ficou conhecido Movimento das “Diretas Já”. Com ascensão do PT no comando maior do país inicia-se uma retomada confusa do papel sindical tendo a CUT (Central Única dos Trabalhadores) à frente das lutas da classe operária como uma postura de enfrentamento recheado de uma grande dose de acomodação em todos seus sentidos, visando atender os interesses dos líderes sindicais, na sua maioria filiada no PT, onde assumira cargos de ministro e outras tendências burocráticas. Nesse momento há um adormecimento sindical onde a palavra “avançar” substituiu, mesmo inconscientemente, o jargão tão conhecido no meio sindical que tinha a seu favor realmente uma política de “enfrentamento”, que significou, por muitas décadas, a bandeira de luta do movimento sindical brasileiro.

As manifestações que é marca registrada das organizações sindicais foi substituída pelas reuniões de gabinete onde nossos representantes mendigam para serem recebidos pelas administrações públicas e líderes patronais, muitas vezes, servindo de “almofadas” entre os donos dos meios de produção e a classe proletária. Mal sabem nossos “inteligentes” representantes que os sorrisos largos, o bom trato à mesa, o glamour em que são recepcionados, banhadas pelos cafezinhos, sucos, bolachas e frutas, representa uma estratégia ou jogo de empurra-empurra em nossas reivindicações.

O cerne do movimento sindical é sua base. Sem sua politização, que é dever de quem está à frente das representações sindicais fomentarem e estruturar as bases, o movimento deixará de cumprir seu papel causando uma perda imensurável para o país tendo como conseqüência uma onda de desfiliação em massa de seus associados em todas as categorias, conseqüência dos marasmos e de ações desastradas das últimas décadas. Portanto nada de acomodação e continuísmo. Temos que reaprender a lutar, temos que desacostumar.


[ Pedro Agostinho ] 
Mestre em História do Brasil. Sócio da Associação Brasileira de Educação a Distância e participa de fóruns sobre educação e Plano estratégico de defesa brasileira.

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