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Deputados denunciam tortura de artista em delegacia do Paranoá

Postado por Simone de Moraes

2/09/2020 17:31


Crédito: Reprodução

A “tortura” no interior de uma delegacia policial denunciada pelo artista plástico Pedro Sangeon – um dos principais nomes da arte urbana do Distrito Federal, conhecido pelos grafites em vários edifícios da cidade, como o Shopping Conjunto Nacional – foi considerada “inadmissível” pelos deputados distritais que trataram da questão durante a sessão remota da Câmara Legislativa da terça-feira (1º). Segundo o relato de Sangeon, ele e dois amigos estavam trabalhando em um mural no dia 28 de junho, quando, acusados de “pichação”, foram levados por policiais militares. O caso veio à tona após entrevista publicada ontem (1º) pelo Jornal de Brasília.

“Na delegacia, teriam sido agredidos física e verbalmente, despidos e algemados e ainda foi exigido que fizessem flexões enquanto os policias se divertiam”, contou a deputada Arlete Sampaio (PT), a primeira a abordar o assunto. “É necessária uma apuração rigorosa dos fatos. Não podemos presenciar cenas como essa em pleno século XXI”, afirmou a parlamentar, observando ainda que os detidos ficaram cerca de quatro horas em poder dos policiais sem poder solicitar um advogado.

Ao falar da denúncia de Sangeon – criador do personagem Gurulino, visto, além das ruas, em quadrinhos publicados pelo Correio Braziliense – Chico Vigilante (PT) criticou a “brutalidade” da polícia e comparou a atitude dos que prenderam o artista e seus colegas a de policiais estadunidenses na abordagem da população negra. “Brasília tem de dar exemplo de uma polícia cidadã. Ao contrário, um delegado em vez de tomar providências, acoberta o caso”, declarou.

Presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Câmara Legislativa, o deputado Fábio Felix (Psol) considerou a prisão um “caso grave de violência policial”. Informou que o colegiado recebeu a denúncia e que se comprometerá para que haja investigação sobre o ocorrido: “A violência não pode ser normalizada, precisa ser combatida. Não pode existir de nenhuma forma, principalmente, a tortura. As polícias precisam ser instituições confiáveis”.

 

Marco Túlio Alencar

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