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Distrital integrante da CPI do Feminicídio é proibido de se aproximar da ex-mulher

Postado por Simone de Moraes

1/11/2019 18:44


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O Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT) concedeu medida protetiva à ex-mulher do deputado distrital Hermeto (MDB), Vanessa Ferreira. Ela alegou sofrer ameaças, perseguição e assédio moral. A decisão proíbe o parlamentar de ficar a menos de 300 metros dela e o intima para comparecer a atendimento com equipe multidisciplinar do Tribunal em 26 de novembro.

O deputado é um dos escolhidos para compor a CPI do Feminicídio da Câmara Legislativa (CLDF), que investigará as razões para a grande quantidade de casos recentes do crime contra mulheres no DF. Os membros foram nomeados no mesmo dia em que foi garantida a ação contra o deputado, a quarta-feira (30/10). De acordo com o advogado de defesa do parlamentar, Mário Neto, a ação seria feita com base em calúnia. Segundo ele, Vanusa não concorda com a separação.

“Essa medida protetiva é inócua porque foi ele quem saiu de casa. Ele quem protocolou o pedido de divórcio há mais de um mês. É estranho observar que só agora que ela tenha motivos para denunciá-lo, um mês depois de não ter mais nenhum tipo de contato com o deputado, já que ele saiu de casa.”, afirmou.

O pedido de divórcio foi registrado em 23 de setembro. De acordo com Mário Neto, desde a data, os advogados de ambas partes se reúnem para acertar os detalhes da separação.
Como nenhuma proposta feita por Vanusa foi aceita pelo deputado, a ação seria uma forma de pressioná-lo a retomar o relacionamento ou aceitar suas condições, alega Neto.

“A intenção dela era ficar com o imóvel do casal, mas o deputado Hermeto prefere a separação de bens com 50% do valor da casa, e depois de não ter aceito as propostas dela, ela iniciou essa campanha caluniosa. Nós vamos pedir a investigação por falsa comunicação de crime”, alegou.

Vanusa Ferreira afirma que pedia o divórcio ao ex-marido desde dezembro de 2018 e que sempre esteve de acordo com a separação. Segundo ela, houve inúmeras oportunidades de denunciar o ex-marido, mas preferiu preservar a imagem, até ter conhecimento que ele participaria da CPI. Além disso, a situação tomou outras proporções após saber que o ex teria entrado em casa quando ela não estava na residência.

“Eu não tenho nenhum prazer na desconstrução da imagem dele. Essa história que ele alega de que estou estou descontente com a separação não é verdade, porque peço o divórcio há mais de nove meses. Eu venho sofrendo ameaças, torturas psicológicas, quebra do meu sigilo e até rastreador a assessoria dele colocou no meu carro. Eu estava calada justamente porque sabia da delicadeza do posto político que ele tem, e não queria prejudicá-lo.
Mas um representante público que não respeita a minha dignidade, a minha história como mulher, e está na frente de uma CPI que vai fazer defesa de mulheres, é uma situação que não faz sentido”, relatou.

De acordo com Vanessa, na data em que o deputado protocolou o pedido de divórcio, ela teria ido a delegacia fazer ocorrência, mas desistiu logo após. Além da ocorrência mais recente, feita na última quinta-feira (30), a advogada também registrou um boletim em 2001 alegando agressão física, ameaça de morte e ter sido exposta a mira de uma arma.

“Nessa situação eu registrei a ocorrência, mas foi até arquivado para que ele pudesse ser promovido na Polícia Militar. Em uma outra situação ele me agrediu na rua, mas também não registrei. Eu tinha medo de prejudicá-lo e o ajudava em tudo. Eu me empenhei na campanha e sempre o respeitei. Mas percebo hoje, depois de 22 anos de casada que eu vivi uma vida inteira sob violência doméstica, e o desfecho não poderia ser diferente. Eu sei que eu estou em uma posição de fragilidade porque eu estou lidando com alguém que tem poder, mas, nós mulheres, não podemos nos acovardar”, concluiu.

O casal ficou juntos por 22 anos e tem um filho de 21 anos que mora com Vanusa. O advogado de Hermeto informou que vai anexar um documento assinado pelo filho do casal informando o motivo da visita de Hermeto à casa da ex-companheira.

O caso é investigado pela Polícia Civil.

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