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A chinesa Huawei diz que restrição americana não afeta seus produtos de ponta

Postado por Simone de Moraes

21/05/2019 14:22


Crédito: Reprodução

O fundador e presidente da Huawei Technologies, Ren Zhengfei, afirmou hoje (21) que as restrições dos Estados Unidos contra a empresa chinesa não vão afetar os produtos de tecnologia de ponta da companhia, particularmente o serviço 5G, depois que o Governo norte-americano colocou a empresa na sua extensa lista negra de países que os EUA não devem negociar.

Por isso, empresas como o Google deixarão de fornecer software e componentes à Huawei, e consequentemente seus celulares e tablets deixarão de ter acesso a alguns serviços do Android e aos populares aplicativos Gmail e Google Maps. Isso não é algo muito grave dentro da China, onde os aplicativos já são bloqueados pela censura, mas pode dissuadir os usuários no resto do mundo a usarem seus produtos.

 loja da Huawei em Pequim

O equipamento 5G da Huawei vai reduzir consideravelmente o custo de construção da rede mundial de telecomunicação-
REUTERS/Thomas Peter/Direitos Reservados

As restrições adotadas pelo Escritório da Indústria e Segurança do Departamento de Comércio dos Estados Unidos se referem à inclusão da Huawei e suas afiliadas em uma “Lista de Entidade”. As regras desta lista lista estabelecem restrições para a venda ou transferência de tecnologias dos Estados Unidos para a empresa.

Segundo Ren Zhengfei, a proibição vai ter um impacto negativo apenas em produtos de gama inferior da Huawei.

Ele acrescentou, porém, que a empresa não deve restringir sua atuação de maneira prejudicar a posição de liderança em tecnologia.

“Nosso trabalho é para beneficiar toda a humanidade”, disse Ren, acrescentando que o equipamento 5G da Huawei vai reduzir consideravelmente o custo de construção da rede mundial de telecomunicação.

As restrições impostas pelos Estados Unidos afetaram imediatamente as empresas tecnológicas que fazem negócios com a Huawei, em especial as fabricantes de semicondutores. O temor é que esse confronto possa prejudicar a cadeia global de componentes para telecomunicações.

Apple

A Apple é a empresa que melhor reflete o dano colateral deste fogo cruzado. Começou a semana com uma queda de aproximadamente 3,5%, devido ao temor quanto ao impacto de um boicote aos seus produtos. A queda se aproxima de 15% desde a primeira mensagem em que o presidente Donald Trump ameaçava intensificar a guerra tarifária com a China. Mais atingidas ainda estão sendo as empresas tecnológicas especializadas em semicondutores. A Skyworks arrasta uma perda de 21,5% no último mês. O mesmo ocorre com a Xilinx, com 17%, e a Micron. No caso da Nvidia, as ações caíram cerca de 15% neste período, mas já perderam metade do seu valor desde o ponto máximo no último ano. Uma tendência similar atinge a Intel, que se depreciou 13% no mês e 26% desde o último pico.

Na China, a nova medida contra a joia da coroa tecnológica reavivou a chama do nacionalismo, quando parecia que os dois países se aproximavam de um acordo que reverteria a drástica deterioração das relações comerciais entre as duas maiores economias do planeta. O tabloide Global Times, ligado ao Partido Comunista da China, publica nesta terça-feira que “o corte dos suprimentos norte-americanos terá certo impacto na Huawei, mas certamente será limitado. O alcance será definido não só pelos preparativos que a empresa já vinha adotando e por sua resposta à crise, mas também pelo apoio da sociedade chinesa à Huawei para superar suas dificuldades”.

O Governo chinês ainda avalia as medidas de resposta. Uma delas poderia ser restringir as exportações de terras raras, materiais imprescindíveis para a fabricação de produtos de alta tecnologia, incluídos os veículos elétricos. Esses materiais ficaram de fora da sobretaxa imposta há 10 dias por Washington às importações da China num valor de 200 bilhões de dólares, ao que Pequim respondeu elevando de 10% para 25% a alíquota sobre produtos norte-americanos num valor de 60 bilhões de dólares.

Essa possibilidade ganhou força depois que o presidente chinês, Xi Jinping, inspecionou nesta segunda-feira uma usina de extração e processamento de terras raras, numa visita noticiada pela agência estatal de notícias Xinhua. A China responde por 90% da produção global desses materiais.

 

Fonte: EL País e Agência Brasil

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