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Estouro da boiada: Dívida pública chega a 74,8% do PIB

Postado por Simone de Moraes

25/01/2018 12:58


Crédito: Reprodução do blog As Trilhas da Vida

Já vistes o estouro da boiada ? . Vai o gado sua estrada mansamente , rota segura e limpa , chã e larga , batida e tranquila , ao tom monótono dos eias ! dos vaqueiros . Caem as patas no chão em bulha compassada . Na vaga doçura dos olhos dilatados , transluz a inconsciente resignação das alimárias , oscilantes as cabeças , pendentes à margem dos perigalhos , as aspas no ar em silva rasteira sobre o dorso da manada . Dir-se-ia a paciência em marcha abstrata de si mesma, ao tilintar dos chocalhos , em pachorrenta andadura , espertada automaticamente pela vara dos boiadeiros .Eis senão quando ,não se atina porque , a um acidente mínimo , um bicho inofensivo que passa a fugir , o grito de um pássaro na capoeira , estalido de uma rama no arvoredo , se sobressalta uma das reses ,  abala , desfecha a correr , e após ela se arremessa em doida arrancada , atropeladamente , o gado todo . Nada mais o reprime . Nem brados , nem aguilhadas o detêm , nem tropeços , voltas ou barrancos por davante . E lá vai , incessantemente , o pânico em desfilada , como se os demônios o tangessem , léguas e léguas , até que , exausto o alento ,esmorece e cessa afinal a carreira , como começou , pela cessação de seu impulso “ .

Rui Barbosa ( 1849 – 1923)  , jurista , jornalista , político , orador e diplomata baiano , discorre  , de forma elegante , sobre “ O estouro da boiada “ numa das passagens da Crestomatia.

A Secretaria do Tesouro Nacional estima que a Dívida Bruta do Governo Geral, que inclui tanto a dívida federal como dos estados e as compromissadas, chegue a 74,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2018. Essa porcentagem, pela projeção, crescerá em 2019 para 76,8% e chegará a 79,2% em 2026. As estimativas estão no Plano Anual de Financiamento (PAF) da dívida pública, divulgado hoje (25) pelo órgão.

De acordo com a secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi, o Brasil tem hoje dívida muito elevada em relação a países com estágio de desenvolvimento semelhante. De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), em média, países emergentes têm, em média, dívida pública bruta de 48% do PIB.

“A dívida cresceu muito nos últimos anos e continuou crescendo em 2017. Haverá crescimento dentro dos próximos anos até que haja estabilização dela. Seria um objetivo muito importante para o Brasil reduzir esse patamar de endividamento”, disse.

A estimativa leva em consideração o cumprimento da regra do teto de gastos, que estabelece limite para o aumento das despesas federais a cada ano. Além disso, considera a devolução de R$ 130 bilhões de títulos públicos do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) ao Tesouro. Apenas essa medida, informou Ana Paula, reduz o endividamento em 1,8% do PIB.

A projeção do Tesouro difere da estimativa divulgada no fim do ano passado pelo Banco Central, de que a dívida bruta encerraria 2018 em 79,8% do PIB este ano. Segundo a secretária, o Banco Central não incorporou o pagamento do BNDES e utiliza um deflator (fator de correção) diferente para o PIB.

Reforma da Previdência

A secretária destacou a necessidade da aprovação da reforma da Previdência para que as previsões sejam cumpridas. A estimativa, ressaltou, leva em consideração o cumprimento da regra do teto de gastos. “Sem a reforma, não conseguiremos cumprir a regra do teto”, defendeu

De acordo com o PAF, o Tesouro usará R$ 108,4 bilhões das emissões de títulos públicos em 2018 para cobrir parcialmente o déficit primário (resultado das contas do governo excluindo os juros da dívida pública) previsto de R$ 159 bilhões. Desse total, R$ 71,2 bilhões, o equivalente a 65%, são referentes a despesas com a Previdência Social – benefícios rurais, urbanos, aposentadorias e pensões e compensação das desonerações da folha de pagamento. A maior parte, R$ 32,3 bilhões, será usada para pagar as aposentadorias rurais.

“Continua o desafio de ajuste”, ressaltou Ana Paula. “Todos processos precisam estar mais claros e mais dirigidos à consolidação fiscal [equilíbrio fiscal]. A reforma da Previdência é a primeira e mais importante reforma a impactar esse cenário”.

A reforma propõe a adoção de uma idade mínima de 65 anos para homens e 62 anos para mulheres e regras de transição com intuito de equilibrar as contas públicas para os próximos anos. Conforme a proposta, trabalhadores do setor privado e servidores públicos deverão seguir as mesmas regras, com um teto de R$ 5,5 mil para se aposentar, e sem a possibilidade de acumular benefícios. Para trabalhadores rurais, idosos e pessoas com deficiência, sem condições de sustento, as regras não sofrerão mudanças.

A previsão é que a reforma da Previdência seja votada pela Câmara dos Deputados em fevereiro.

 

Texto de Rui Babosa reproduzido do blog Trilhas da Vida

Agência Brasil

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