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É hoje a Parada LGBTS de Brasília que espera receber 50 mil pessoas na Esplanada

Postado por Simone de Moraes

25/06/2017 13:29


O sorriso marcante e a tradicional peruca ruiva chamam logo a atenção para a presença da colorida Mary Gambiarra. Alta e trajando roupas nos tons da bandeira do orgulho LGBT, a drag queen fez sua primeira aparição em público durante uma parada LGBTS em 2014, no Gama, e hoje, três anos depois, desfilará na Esplanada dos Ministérios na 20ª Parada do Orgulho LGBTS de Brasília. “O movimento não é apenas festa, é um ato político. Quando os LGBTS saem dos seus nichos e vão desfilar à luz do dia, damos um recado à sociedade: nós existimos.”
Em 2008, anos antes da criação de Mary Gambiarra, Diego Lagos, hoje com 29 anos, participou de uma parada pela primeira vez, e cita sua história como exemplo da magnitude do evento. “Cresci num lar conservador, mas, por eu não conhecer outros gays, me sentia uma aberração. Quando cheguei à parada e vi pessoas como eu, dançando, se divertindo e se beijando na rua, senti que era normal e que não estava sozinho”, declara.
O desfile deste ano terá início hoje, às 14h, em frente ao Congresso Nacional. Vinte anos após a primeira Parada de Brasília, que reuniu apenas 200 pessoas, mais de 50 mil são esperadas no evento. O tema desta edição é “Religião não se impõe. Cidadania se respeita”, um pedido pelo cumprimento do Estado laico. Para explicar a importância do tema, a Associação da Parada do Orgulho LGBTS de Brasília realizou uma pesquisa entre 10 e 17 de junho, com 372 heterossexuais e cisgêneros — aqueles que se identifica com o gênero designado no nascimento — de todas idades, religiões e rendas em locais de grande fluxo do DF. A pesquisa mostrou que 51,6% dos entrevistados apresentam desconhecimento do significado de Estado laico, sendo que 16,1% afirmam que é o estado que “adota o cristianismo como religião principal”.
Nada de confronto
O vice-presidente da Comissão de Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil do DF, Ricardo Sakamoto, afirma que a falta de informação, como demonstra a pesquisa, influencia na tomada de decisões políticas do país. “O fato de a população não identificar que alguns legisladores exercem suas funções políticas tendo apenas a religião como justificativa ajuda a perpetuar uma série de ações exercidas de forma errônea”, explica.
Um dos membros da organização da Parada LGBTS de Brasília, Welton Trindade, 38 anos, explica que a escolha do tema não propõe um confronto entre religiosos e LGBTS. “Não somos contra o direito das pessoas de exercerem suas religiões, só não aceitamos que as leis sejam pautadas por qualquer tipo de crença, pois vai contra o conceito de Estado laico”, adverte.
Segundo Welton, a própria comunidade LGBTS possui membros que praticam as mais diversas religiões. Diego Lagos, por exemplo, conta que, apesar dos problemas de aceitação, é grato por ter sido criado em um lar evangélico. “Acredito nesse Deus maravilhoso, que está dentro de tudo e de todos, inclusive de nós, LGBTS”, conta. O tema da parada deste ano está constantemente presente em debates de membros da comunidade.
Entenda a nomenclatura 
A sigla LGBT está sempre se atualizando devido ao surgimento de novas categorias de gêneros. No Hemisfério Norte, por exemplo, é conhecida como LGBTIQQ, lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, transgêneros e travestis, intersexuais (pessoas que possuem variações nos cromossomos ou órgãos genitais que dificultam a identificação de um gênero), queer (pessoas que não se identificam em nenhum gênero) e questioning (pessoas indecisas em relação à sua orientação sexual).
Inclusão
Diferente de outros estados, Brasília organiza a única Parada do Orgulho LGBTS do Brasil, incluindo no título o S de simpatizantes. O organizador do evento diz que a inclusão ocorreu após uma panfletagem em que uma mulher afirmou ter orgulho de ser simpatizante da causa LGBTS, e por isso, acreditava na importância de adicionar o S ao
nome do evento.
Sem custos 
Em 2017 o financiamento da Parada, de Brasília veio todo de parceiros e patrocinadores, sem auxílio algum de verba do governo.
Fonte> CB