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Simpósio vai discutir temas importantes da reprodução humana

Postado por Simone de Moraes

19/04/2017 16:51


Crédito: Reprodução

Congelamento de óvulos por razões sociais, endometriose e infertilidade,  aborto espontâneo recorrente, avaliação da reserva ovariana, Síndrome do Ovário Polícistico e infertilidade, o que é importante na avaliação do casal infértil, o uso de anticoncepcionais e o risco de trombose e o uso de androgênios (hormônios sexuais masculinos) no período fértil da mulher e na menopausa. Esses são alguns dos temas que vão ser discutidos no 9º Simpósio de Reprodução Humana de Brasília, no próximo dia 6 de maio, das 8 às 13h, no auditório da AMB (Associação Médica de Brasília).

O evento, promovido pela  Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Distrito Federal (SGOB) e pela Sociedade Brasileira de Reprodução Humana – DF  (SBRH-DF), deve reunir cerca de duzentos especialistas da área, além de estudantes de medicina e médicos residentes. Informações e inscrições: (61)  3245-3681 / (61) 99622-2865.

Congelamento de óvulos

Atualmente, muitas mulheres têm seu primeiro filho após os trinta anos. A mulher moderna adia a maternidade por vários motivos, seja para investir na formação e na carreira profissional, ou porque ainda não encontrou o parceiro ideal ou ainda porque pretende buscar estabilidade financeira antes de ter um filho. O grande problema é que quando muitas mulheres resolvem ter filhos a fertilidade delas já entrou em declínio.  “O pico de fertilidade da mulher é entre os 20 e 25 anos de idade. Após os 30 anos e, principalmente, depois dos 35, a fertilidade feminina entra em declínio progressivo”, explica o ginecologista Jean Pierre Barguil Brasileiro, especialista em Reprodução Humana, presidente da SGOB e um dos coordenadores do Simpósio. “A idade da mulher é um dos fatores naturais que afetam a sua capacidade reprodutora”, confirma o ginecologista Vinicius Medina Lopes, também especialista em Reprodução Humana, diretor daSBRH-DF e coordenador do Simpósio.

O congelamento de óvulos, através da técnica segura e eficaz de vitrificação, possibilita que as mulheres adiem a gestação e ainda que engravidem utilizando os próprios gametas até mesmo depois da menopausa. Além da indicação social para congelar os óvulos, existem as indicações médicas. “Mulheres que são submetidas à quimio ou radioterapia para tratamento de determinados tipos de câncer podem ter perda da capacidade reprodutiva por diminuição importante da quantidade de óvulos”, esclarece Vinicius Medina Lopes.

Para preservar a fertilidade feminina, a técnica de vitrificação é uma das que apresenta os melhores resultados. O método de criopreservação permite o ultrarresfriamento dos óvulos em baixíssima temperatura (-196ºC) e de forma muito rápida, garantindo a sua qualidade no ato do descongelamento ou desvitrificação para fertilização em seguida. Considerado um método mais avançado de criopreservação, a vitrificação proporciona taxas de gestação altas, uma vez que o procedimento preserva as características, a idade e a qualidade dos gametas femininos. Durante o processo de congelamento, os óvulos são desidratados e tratados com substâncias crioprotetoras antes de serem congelados.

Avaliação do casal infértil

Cerca de 15 % da população brasileira em idade fértil é afetada pela infertilidade conjugal, caracterizada pela ausência de gravidez em um casal com vida sexual ativa e que não usa medidas anticonceptivas por um período de um ou mais anos. Sabe-se, atualmente, que cerca de 40% dos casos de infertilidade de um casal são atribuídos à mulher, 40 % aos homens e em 20% dos casos o problema é resultado de uma combinação de fatores  em ambos os parceiros. “Quando a gravidez não acontece, o homem também deve ter acompanhamento médico e participar junto com a sua parceira da investigação para diagnóstico e tratamento da infertilidade”, afirma o médico Vinicius Medina Lopes.

Várias são as causas mais comuns que podem levar à infertilidade nas mulheres, dentre elas as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST’s), os distúrbios hormonais, obstrução nas trompas, problemas de malformação ou tumores no útero, endometriose, miomas e ovários policísticos.

Nos homens, um dos principais fatores de infertilidade é a varicocele, que consiste na dilatação anormal das veias que drenam o sangue na região dos testículos. Há também causas genéticas, homens que não têm espermatozoides (azoospermia) ou que apresentam uma concentração inferior a quinze milhões de espermatozoides por mililitro de sêmen (oligozoospermia severa). As Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST’s), o uso de cigarro e o consumo de álcool e anabolizantes também podem comprometer a fertilidade.

É importante saber que uma mulher com menos de 30 anos pode esperar até dois anos para que aconteça a gravidez. Caso a mulher tenha mais de 30 anos não deve aguardar mais que um ano para iniciar uma investigação com o especialista. Se atingiu 35 anos, o prazo de espera não deve ultrapassar seis meses. Após os 40 anos se a mulher deseja engravidar deve, de imediato, iniciar a investigação da sua capacidade fértil.

Outros fatores também podem influenciar a saúde reprodutiva como o estresse, tabagismo, obesidade, poluição, consumo de álcool e de drogas, uso de alguns medicamentos, problemas da tireoide e a própria ansiedade.

Endometriose e infertlidade

Cerca de 6 milhões de mulheres brasileiras em idade fértil são acometidas pela endometriose. Uma grande parte dessas mulheres só descobre a doença quando não consegue engravidar. A endometriose pode causar infertilidade, principalmente, em seu estágio mais avançado, quando a doença atinge as trompas, órgão que conduz o óvulo ao útero. A doença também é associada a alterações hormonais e imunológicas, que podem dificultar a gravidez. A depender do quadro, o tratamento pode ser com o uso de medicamentos hormonais ou através de procedimento cirúrgico,  como videolaparoscopia (técnica de cirurgia minimamente invasiva). A infertilidade decorrente da endometriose pode ser tratada também com a inseminação artificial, técnica de reprodução assistida que consiste na estimulação ovariana e posterior colocação do sêmen dentro da cavidade uterina através de um cateter flexível. Em casos mais avançados, quando a endometriose já atingiu vários órgãos, geralmente, a paciente precisa de uma técnica mais complexa para engravidar, como a Fertilização in Vitro (FIV).

A endometriose consiste na presença de endométrio (tecido que reveste o útero internamente e que é renovado mensalmente pela menstruação) em locais indevidos, ou seja, fora da cavidade uterina. Quando não ocorre a fecundação, o endométrio se fragmenta e é eliminado junto com o sangue menstrual, podendo migrar através da corrente sanguínea para órgãos como o ovário, intestino, apêndice, bexiga e vagina. Cólica menstrual aguda, dores pélvicas entre as menstruações, dor durante a relação sexual e infertilidade estão entre os principais sintomas da doença. As dores decorrentes da endometriose comprometem bastante a qualidade de vida da mulher.

Apesar da doença ser um dos principais fatores associados à infertilidade feminina, nem todas as mulheres que têm endometriose são inférteis. “Quando a mulher engravida na fase inicial da doença, a progesterona, hormônio produzido em grande quantidade na placenta, age como protetor, aliviando os sintomas da endometriose. A gravidez acaba funcionando como tratamento para a doença”, explica o médico Jean Pierre Barguil Brasileiro.

A endometriose é considerada uma doença da mulher moderna, que retarda a maternidade, tem menos filhos e, consequentemente, tem mais ciclos menstruais. Atualmente, a mulher menstrua em média 400 vezes ao longo da vida, quando no inicio do século passado, menstruava cerca de 40 vezes. Além disso, a menarca (primeira menstruação) hoje acontece bem mais cedo graças ao estilo de vida, o estímulo sexual e a alimentação (uso de hormônios em alimentos). Hoje é normal a menina começar a menstruar por volta dos 11 a 12 anos de idade, antes a menarca acontecia entre os 14 e 15 anos.

A melhor forma de evitar a doença é a prevenção através de consulta ao ginecologista e exames de rotina anuais. Uma alimentação saudável e a pratica regular de atividade física também é recomendada para manutenção de uma vida reprodutiva saudável.

Aborto espontâneo recorrente

Ter uma gravidez tranquila, saudável e sem contratempos é o desejo dos casais que esperam um bebê, mas alguns deles são obrigados a enfrentar um problema muito mais comum do que se imagina: o abortamento espontâneo recorrente. De acordo com a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, entre 15% e 25% das mulheres em idade fértil vão ter pelo menos uma perda gestacional e 5% delas terão duas. Cinquenta por cento das perdas não têm causas definidas. O aborto espontâneo é caracterizado por uma gravidez interrompida por causas naturais antes de completar vinte semanas de gestação. O especialista Vinicius Medina Lopes explica que o abortamento espontâneo recorrente, também conhecido como abortamento habitual ou de repetição, acontece quando há duas ou mais perdas gestacionais espontâneas e consecutivas antes da vigésima semana de gravidez. Além de grande sofrimento, o aborto recorrente causa constrangimento e impacto emocional para as mães, seus parceiros e familiares e, muitas vezes, efeitos devastadores na vida do casal.

Febre, sangramento vaginal, dor abdominal intensa e calafrios são alguns dos sintomas que podem sinalizar a perda do bebê. Quando uma grávida sente qualquer um desses sintomas, deve consultar imediatamente seu médico.

No Brasil, estima-se que por ano um milhão de casais percam seus bebês por conta de abortamentos espontâneos.  “Alterações imunológicas, malformações uterinas e outros problemas anatômicos, distúrbios hormonais, fatores genéticos (anomalias cromossômicas no casal), infecções, obesidade, doenças crônicas da mãe, como diabetes não controlada e hipertensão, e o uso de drogas podem ser responsáveis pelo abortamento recorrente. Em boa parte dos casos, as perdas gestacionais sucessivas são multifatoriais, mas em 50% dos casais não é possível definir as causas”, esclarece o médico. Além desses fatores, a trombofilia adquirida e hereditária também é uma causa de abortamentos e outras complicações na gravidez, como a hipertensão gestacional e o parto prematuro.

Além dos danos emocionais, os abortamentos de repetição repercutem também na vida financeira de muitos casais. Eles passam a viver na expectativa de ter um diagnóstico que identifique o que causa as perdas gestacionais, possibilite o tratamento e garanta uma futura gravidez saudável, que evolua normalmente até o parto, o que, muitas vezes, leva tempo, gera muita ansiedade e conflitos e exige investimento. O número de abortamentos prévios e a idade da mulher aumentam o risco de novas perdas. As mulheres com mais de 35 anos de idade já têm fator de risco aumentado. “A possibilidade de perda gestacional aumenta progressivamente em mulheres que já tiveram outras gestações interrompidas por causas naturais”, diz o médico.

O tratamento com progesterona, o suporte emocional e a adoção de hábitos de vida saudáveis (manter-se no peso adequado, não fumar, não consumir álcool e drogas ilícitas) são algumas das recomendações dos especialistas.

O tipo de tratamento indicado dependerá das possíveis causas do problema. Segundo dados da FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), quando o diagnóstico e tratamento são realizados de forma adequada, 84% dos casais conseguem se tornar pais após duas perdas consecutivas.