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Luiz Estevão se diz pronto para 5 anos de prejuízo na internet

Postado por Simone de Moraes

16/06/2015 0:00


Crédito: Reprodu

Por Tereza Cruvinel – Até recentemente ele dormia na Papuda, depois de ter sido empresário de sucesso, deputado distrital e senador. Foi cassado e condenado no processo de superfaturamento de obras do TRT de São Paulo. Agora desfrutando do regime aberto, Luiz Estevão de Oliveira Neto faz uma nova investida empresarial: em agosto ele lançará o portal "Metrópoles", apostando forte no fortalecimento das mídias digitais. Já estão contratados 26 jornalistas, além de pessoal de apoio. A editora-chefe será a jornalista Lilian Tahan, que como boa parte da equipe, era do grupo dispensado da "Vejinha Brasília", que a Editora Abril fechou no curso da crise que enfrenta. Em conversa com o 247, ele explicou seus planos.

O novo portal será voltado para a cobertura da vida na capital e cidades satélites do Distrito Federal, em seus variados aspectos, com forte ênfase na prestação de serviços. Haverá cobertura da política local, mas não a intenção de disputar a cobertura da política nacional. Mas ele garante, o "Metrópoles" desfrutará de uma independência editorial que os jornais locais não têm, por força da enorme dependência que têm do poder público, local ou federal. Diz ele:

– Brasília tem dois jornais impressos tradicionais, o Correio Braziliense e o Jornal de Brasília, mas nenhum dos dois tem uma presença forte na Internet, que ninguém tem duvida, é a plataforma do futuro. Hoje ainda temos uma geração muito apegada aos veículos impressos, uma intermediária, que transita entre as duas plataformas, e uma geração inteiramente digital, que busca informação e entretenimento exclusivamente na rede. Os impressos, em Brasília como em qualquer lugar do mundo, enfrentam, além da perda de leitores, o declínio das verbas de publicidade como fonte de financiamento. Isso é progressivo mas é inexorável.

Ele exemplifica dizendo que, há 10 anos, o Correio publicava vinte mil anúncios classificados aos domingos. Hoje, não mais que sete mil. As páginas de anúncios caíram de 20 a 25 por domingo para uma página e meia. A revista Veja, que já chegou a ter 80 páginas de anúncios em uma edição, hoje circula com 18 a 20. A circulação e venda, em banca ou por assinatura, outra fonte de financiamento, também vem secando para os impressos. Ele admite, entretanto, que o declínio da publicidade nos jornais não corresponde, ainda, a uma migração proporcional para a Internet. Declara-se preparado para enfrentar pelo menos cinco anos de manutenção deficitária do novo portal.

A migração da publicidade para a Internet, diz Estevão, também se dará paulatinamente. "Quando os jornais impressos surgiram, há pouco mais de 100 anos, também não despertaram imediatamente o interesse dos anunciantes. Isso veio a acontecer em meados do século passado. Assim será com a Internet".

Tanta disposição para o risco financeiro não significa a preparação de um caminho para a volta à política? Ele jura que não.

– De modo algum. Primeiro, porque ainda estou cumprindo pena, num processo que um dia terá sua verdadeira narrativa contada. Segundo, porque qualquer candidatura minha seria barrada pela Lei da Ficha Limpa. Terceiro, porque não tenho esta pretensão, nem para mim nem para qualquer de meus filhos. Há zero de intenções políticas no projeto. Estou fazendo uma aposta nova e estou feliz com isso. E tenho muitas razões para acreditar no sucesso do portal. Brasília é a capital do país, tem a maior renda per capita e o maior índice de conectividade. Aqui, 86% das pessoas têm smartphone com acesso à Internet. Apesar de todas as características desta cidade que já virou metrópole, tanto os jornais locais como as sucursais dos jornais de fora vivem de frente para a Esplanada e de costas para o DF, que carece e merece um veículo que o reflita.

Ela não se sente um estranho no mundo da mídia. Recorda ter sempre mantido uma boa relação com os veículos e os jornalistas e ter tido uma iniciativa empresarial pioneira, a criação do Prêmio OK de Jornalismo, sucedido por muitos outros prêmios criados por instituições públicas ou privadas.

 

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