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Presidente do BNDES descarta injeção de recursos para a Delta

Postado por Simone de Moraes

11/05/2012 23:13


Crédito: Reprodu

Nesta sexta, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, descartou (11) a possibilidade de a instituição vir a injetar recursos na operação de compra da Construtora Delta pela J&F, holding que controla o frigorífico JBS, do qual o banco é acionista (+aqui).

Além disso, Coutinho prometeu zelar para que não haja riscos aos acionistas da JBS em termos de estrutura. “Não há fundamento, não haverá risco. São coisas extremamente diferentes. Estamos absolutamente tranquilos. Essa é uma operação apartada, feita pela holding, e nos zelaremos para que a empresa, a sociedade aberta que está no mercado, se mantenha totalmente saudável e não haja nenhum relacionamento entre uma coisa e outra”. Coutinho reafirmou que esse é também interesse dos acionistas em geral da JBS.

A declaração do presidente do BNDES foi dada no seminário Política Industrial no Século 21 promovido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, no Rio de Janeiro, do qual participou como debatedor.

Planalto – Além das declarações do presidente do BNDES, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República divulgou uma nota à imprensa, também nesta sexta (11), negando interferência do governo no processo de compra da Delta pela J&F, grupo que controla o frigorífico JBS.

A nota responde a uma reportagem publicada nesta sexta (11) pelo jornal “Folha de S.Paulo”, onde um dos controladores do frigorífico JBS, o empresário José Batista Júnior afirma que o “governo foi consultado e deu aval à decisão de sua família de comprar a construtora Delta para impedir a paralisia de suas obras”.

J&S Holding – Já a holding J&S negou, através da assessoria de imprensa, que José Batista tenha participado das negociações para a compra da Delta, e afirmou que embora seja um dos acionistas, ele não participa das decisões do conglomerado e que a transação estaria sendo negociada exclusivamente pelo controlador da J&S, Joesley Batista, irmão de Júnior.

O comunicado divulgado pela J&F afirmou ainda que as negociações para a aquisição da Delta são “privadas e de caráter empresarial” e que seria “descabida qualquer insinuação de interferência do governo federal no negócio” e que a participação do BNDESPar na empresa não o torna acionista direta ou indiretamente de nenhuma empresa da holding ou o direito de interferência política na J&F.

Delta – A Delta – empreiteira que mais tem contratos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), além de ser a sexta maior do setor no país –  está envolvida em denúncias de favorecimento ao contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo no dia 29 de fevereiro, acusado de chefiar um esquema de jogo ilegal.

De acordo com as investigações da Polícia Federal, a Delta repassava dinheiro a empresas fantasmas controladas por Cachoeira e o bicheiro passava informações sigilosas de licitações públicas para Claudio Dias Abreu, ex-diretor da Delta no Centro-Oeste. Além dele, outro ex-diretor da Delta, Carlos Pacheco teria ligações com o grupo. Também Fernando Cavendish, dono da construtora, foi citado em escutas, mas não conversa diretamente com Cachoeira.

Desde que a investigação veio a público, a empresa deixou obras nas quais participava em consórcio com outras empreiteiras e vem sofrendo pressão para abandonar empreendimentos estatais que toca sozinha.

Veja a íntegra da nota divulgada pela Presidência:

"Nota à imprensa

Em relação às negociações sobre a mudança do controle da Delta Construção, o governo federal reitera que não interfere em operações privadas.

São falsas, portanto, as ilações de que a referida operação teve aval deste governo.

O governo alerta que está em curso na Controladoria Geral da União processo de decretação de inidoneidade da Delta Construção. Caso a CGU conclua pela condenação, a empresa estará impedida de ser contratada pela administração pública, nos termos da Lei 8.666 de 1993, com

consequências econômicas presentes e futuras.

Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República."

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