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CPI da Arapongagem pode revelar muito mais que ensejou

Postado por Simone de Moraes

18/04/2012 18:40


Crédito: Isto

 

 

A Câmara Legislativa do Distrito Federal deve ler na tarde desta quarta (18) o texto do requerimento de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar denúncias de que o GDF estaria mantendo uma central de arapongagem e teria investigado ilegalmente autoridades e jornalistas. Ao que parece, caso saia do papel, a tal CPI vai esbarrar em bem mais do que ensejava, quando houve acordo entre os 24 distritais para a instauração do inquérito (leia matéria).

Após a PF deflagrar a Operação Monte Carlo, vem à tona a atuação do sargento da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, um dos principais homens no esquema de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso em 29 de fevereiro, na Operação Monte Carlo. No cumprimento de um dos mandados de busca e apreensão da operação, a PF apreendeu documentos no apartamento de Dadá, que está preso em uma unidade militar do DF e é apontado como o principal articulador do esquema de Cachoeira, mas ao que parece, a atuação de Dadá ia muito além, em uma carteira de clientes que vai de políticos a promotores.

O araponga teria montado uma ampla rede de gravações clandestinas em Brasília, que vem funcionando há cerca de uma década, o que significa que Dadá é, mais que um articulador do esquema de Cachoeira, um mantenedor de um imenso esquema clandestino de espionagem, cuja atuação levou a PF a abrir uma investigação paralela à Monte Carlo para apurar a atuação do araponga. A PF passou a prestar mais atenção no trabalho de Dadá durante a Operação Satiagraha, quando o delegado e atual deputado Protógenes Queiroz (PCdoB – SP) pediu ajuda a Dadá para recrutar freelancers na investigação sobre o banqueiro Daniel Dantas, porém as provas foram anuladas, Protógenes se elegeu deputado e Dadá se aposentou, passando a atuar apenas na clandestinidade.

Dadá – A PF vem analisando documentos e gravações telefônicas que indicam que Dadá teria montado o maior esquema de espionagem da história recente do País, com direito a colaboradores infiltrados em diversos órgãos, que trabalham vazando informações ao araponga, como o chefe do setor de Inteligência do Ministério Público do DF Wilton Queiroz é o maior colaborador de Dadá, segundo a PF. Através dele, Dadá teria acesso a dados confidenciais sobre inquéritos e processos que tramitam pelo MP, o que permitia que o araponga avisasse seus clientes sobre possíveis ações na Justiça.

Em troca Dadá faria arapongagem sob encomenda do promotor e, se o resultado fosse interessante para o MP, posteriormente Wilton ia atrás de autorização judicial para interceptação de gravações oficiais. Quando interessavam o próprio Dadá tratava de repassá-las a outros clientes. A PF apurou ainda que Dadá contava com a ajuda do promotor Libânio Alves Rodrigues, além de parceiros na Corregedoria da Polícia de Goiás, nos serviços reservados das Polícias Civil e Militar de Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso, Rio de Janeiro e Espírito Santo, além de delegados da própria Polícia Federal. O espião contaria ainda com agentes da comunidade de informações do Exército, da Aeronáutica e da Marinha, para a elaboração de dossiês. Agentes da Abin passariam dados bancários e fiscais de pessoas físicas e jurídicas.

Um relatório reservado da PF divulgado pela IstoÉ mostraria que na casa de Dadá foram apreendidos documentos pertinentes à possível prática de espionagem, como mídias eletrônicas, pesquisas de bancos de dados privativos dos órgãos de segurança pública (Infoseg) sobre o deputado Fernando Francischini (PSDB-PR), que também teve os e-mails monitorados. Também foram apreendidos relatórios de interceptação de linhas telefônicas de investigações do Núcleo de Combate a Organizações Criminosas (NCOC) do Ministério Público em conjunto com a PF.

Arapongagem no DF – Uma parte ainda nebulosa na história é onde entra o GDF na arapongagem, que teria devassado os dados de jornalistas e autoridades através de um núcleo de inteligência do gabinete do governador do DF, já que foi instalada inclusive uma CPI para apurar as tais gravações. O governo do Distrito Federal negou a espionagem, porém o porta voz Ugo Braga confirmou que dados do deputado Francischini e do jornalista Edmilson Edson dos Santos, conhecido como Edson Sombra foram acessados. “Isso porque ambos, em algum momento, fizeram ameaças ao governador ou a seus familiares”, disse Braga.

A Folha de São Paulo publicou que a PF tem indícios de que servidores lotados na Casa Militar do DF, que teriam acessado informações sigilosas de Francischini, por meio de um sistema oficial de dados, mas sem autorização judicial. Teriam sido os sargentos Leonel Martins e Itaelson Rodrigues, lotados na Casa Militar do Distrito Federal por indicação de Dadá e comando do coronel Rogério Leão.

Ocorre que a Polícia Federal encontrou as provas de que as conversas entre os jornalistas Edson Sombra, e Donny Silva, que mantém blogs críticos ao governador Agnelo Queiroz (PT) foram interceptadas por Dadá e a PF encontrou manuscritos que indicam a interceptação de telefonemas entre os jornalistas e um ex-deputado federal. Se Ugo Braga reconhece que a Casa Militar do GDF espionou Francischini e Sombra e se quem fez a investigação clandestina foram soldados do esquema de Dadá, isso coloca o GDF na carteira de clientes do araponga?

Os jornalistas, Edson Sombra e Donny Silva, confirmam que as anotações publicadas pela Folha de São Paulo são a essência de diálogos que mantiveram por telefone nas datas referidas nos manuscritos, entre 27 e 29 de janeiro último. Uma das anotações diz que Sombra e o presidente do DEM no DF, o ex-deputado federal Alberto Fraga conversaram sobre as atividades do deputado Francischini (PSDB-PR), e “a tentativa de blindagem do GDF”. Poucas semanas antes da conversa, Francischini havia protocolado um pedido de prisão de Agnelo na Procuradoria-Geral da República (PGR), alegando que um irmão de Agnelo havia ameaçado um jornalista que investigou a família do governador.

Vale lembrar que no ano passado, o jornalista Mino Pedrosa que é ou foi assessor de Cachoeira publicou algumas vezes em seu blog que o GDF tinha uma casa no Lago Sul, destinada á prática de espionagem. Se isso for mesmo verdade, algo deverá acontecer no meio do caminho para interceptar a CPI, como disse hoje a deputada Eliana Pedrosa (PSD).

 

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