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Cachoeira deságua no Buriti: gravações envolvem membros do GDF com contraventor

Postado por Simone de Moraes

5/04/2012 12:20


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A cada dia que passa, o efeito cascata da Operação Monte Carlo da Polícia Federal, que no dia 29 de fevereiro prendeu o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, atinge mais gente. Desta vez deve encharcar o Palácio do Buriti.

A primeira denúncia que pairou foi de aparelhos antigrampos habilitados nos Estados Unidos, dados a Cláudio Monteiro, chefe de gabinete e auxiliar direto do governador do Distrito Federal Agnelo Queiroz (PT). Agora grampos da PF indicam que um integrante do governo Agnelo participou de uma operação para direcionar um contrato milionário, que renderia até R$ 60 milhões por mês, ao grupo de Cachoeira.

Bilhetagem – Os diálogos evidenciam que o diretor financeiro e administrativo do Departamento de transportes do DF (DFTrans), Milton Martins de Lima Junior teria negociado para favorecer a organização de Cachoeira na concessão do sistema de bilhetagem eletrônica dos ônibus, direcionando a exploração do serviço para a Delta Construções, mais um braço da máfia dos caça níqueis.

Em conversas de junho do ano passado, Cachoeira orienta Gleyb Ferreira da Cruz, um de seus aliados, a negociar o contrato com o governo do DF. O diretor nega as acusações e afirma que não negociou propina para a bilhetagem e que nem conhece Cachoeira. Segundo ele, no processo para escolha de uma parceira para o serviço, tem participado de reuniões com empresas interessadas em vender a tecnologia, mas não se recorda de ter conversado com Gleyb. “É uma grande injustiça, vou provar minha inocência. Nunca prometi nada a ninguém”, afirmou Martins.

Entretanto por duas vezes Carlinhos pergunta quem é Milton e o interlocutor responde que é o diretor nomeado para organizar o setor de transportes no DF, dando detalhes, como a atuação na Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap), antes de assumir o DFTrans.

Esquema – Nas conversas, Carlinhos e Gleyb tramavam colocar a Delta Construções no jogo. O GDF havia assumido a bilhetagem eletrônica e buscava um parceiro privado para operá-la. Gleyb informou a Cachoeira que o negócio poderia vir a render um valor estimado em R$ 60 milhões por mês.

Numa das gravações, Cachoeira diz que irá acionar um emissário para negociar com o diretor do DFTrans: “Pois é, porra! Tem que fazer contratar direto a Delta… tem que pôr o Cláudio amanhã com o Milton, entendeu?”, sugerindo que o contrato feito em caráter emergencial, com dispensa de licitação, já que o GDF demonstrava urgência.

Em outra conversa, Gleyb comenta que aguarda Milton para um jantar e Cachoeira orienta:  "Tem que chamar o cara, porque esse cara tem que tá junto… Fala assim, ó, não, a Delta tem interesse”, orienta Cachoeira. Após o encontro Gleyb liga passando o resultado da negociação: “O Milton, ele topa, num tem problema não, agora tem que ver… a porcentagem que eu falei com ele… que eu falei pra gente fazer gestão cinquenta/cinquenta e a gente usaria a nossa empresa usando a tecnologia da EB no negócio”.

O DFTrans ainda não definiu qual será a nova parceira para a bilhetagem. Segundo a empresa, a contratação ainda deve ser feita, possivelmente mês que vem e em caráter emergencial, após a licitação para a escolha das novas concessionárias do transporte público.

Denúncias anteriores – Sobre as primeiras denúncias que chegaram perto do Buriti, Cláudio Monteiro negou ter recebido o aparelho. Pelo sim, pelo não, o nome de Agnelo aparece em uma das gravações de telefonema entre o “professor” Cachoeira e o “doutor” Demóstenes, dando a entender que o grupo tinha acesso ao gabinete de Agnelo e que faziam indicações políticas.

Em uma das conversas com o senador, o araponga Idalberto Matias, o Dadá, também preso na operação diz: “Esse documento aí é para botar na mão do Marcelão (…) Ele vai direto no gabinete do governador. São os nomes que a gente quer”, afirma.

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