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Denúncias que você não vê na Globo:brasileiros ricos invadiram “sua praia”

Postado por Simone de Moraes

26/03/2012 17:39


Crédito: Ibama e Bloomberg


 

Os jornais da TV Globo têm se dedicado a denúncias com direito a estratégias mirabolantes. Todas elas de enorme utilidade pública, justiça seja feita. Porém tem uma denúncia que será muito pouco provável ocupar algum espaço na Rede Globo, seja em rádio, TV, jornal ou internet: trata-se das casas construídas em áreas de preservação ambiental.

A Rede Globo não iria enfrentar essa denúncia contra seus proprietários, mas outro veículo o fez e desta vez nem foi a arquirrival Rede Record, mas a internacional Bloomberg que contou ao mundo que os Marinho possuem uma mansão de 1300 metros quadrados na praia de Santa Rita em Paraty (RJ), que foi construída sem permissão. Além disso, anexaram uma área pública na praia e desmataram floresta protegida para construir um heliporto.

Casas "de novela" – A família Marinho, dona da TV Globo junto com outros milionários brasileiros, são felizes proprietários de mansões em áreas de preservação ambiental em Paraty, com direito a violação de leis ambientais e a “invadirem sua praia”, já que no Brasil elas são públicas por lei. Menos na terra dos donos da Globo, que conta com seguranças armados patrulhando a área e impedindo a presença de pessoas na área pública que invadiram. Na vizinhança a diferença não é muito grande.

O Ministério Público e o ICMBio (Instituto Chico Mendes) autuaram os Marinho mas devido a um recurso, o processo onde um juiz federal determinou a demolição da casa estagnou desde novembro de 2010.

Outros invasores – Não são só os Marinho que invadiram Área de Preservação Ambiental (APA), construindo mansões. A reportagem da Bloomberg conta que o milionário Antônio Claudio Resende, um dos fundadores da América Latina a maior empresa de aluguel de automóveis construiu sua “modesta casa” (foto) de 1.752 m² em 2006, na Ilha Cavala em Angra dos Reis. Para isto, desmatou e quebrando as regras que lhe davam o direito de ocupar a terra em um local de preservação. Ele também tem processos se arrastando há mais de quatro anos.

O diretor de cinema Bruno Barreto também tem sua “casinha” construída numa APA e é outro que violou leis ambientais para construir na Ilha do Pico em Paraty. Ao ser interpelado judicialmente, ele se comprometeu no tribunal em janeiro de 2008 a demolir sua casa de 450 m² e restaurar a área de preservação ao estado original em dois anos. Quatro anos depois, Barreto ainda mantém sua propriedade enquanto impetra recursos e mais recursos na justiça.

Já o empresário Ícaro Fernandes, diretor da Rhino Participacoes & Distribuidora de Alimentos Ltda, comprou 400.000 metros quadrados de terra em 2003 na Praia da Costa em Mamanguá e construiu em 666 m². Contra ele, há um processo civil por violação de leis ambientais, que também se arrasta em recursos desde novembro de 2004 sem que nada seja feito. Enquanto isso, a casa foi cenário romântico da Saga Crepúsculo, no episódio Amanhecer.

A família dona da Camargo Correa SA foi mais longe. Até recebeu permissão do governo para construir pequenas casas em uma reserva natural, mas construiu duas casas de 700 metros quadrados.

Nenhum dos felizes proprietários quis falar com a Bloomberg.

Leia a reportagem original em inglês aqui

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